Iniciou-se nesta segunda-feira (6) a audiência pública com o governo dos Estados Unidos para discutir a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em meio ao debate, Laudemir André Müller, presidente da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), concedeu uma entrevista onde defendeu que a relação comercial entre os dois países é vantajosa para ambos os lados — e não apenas para o Brasil.
Müller foi enfático ao afirmar que as exportações brasileiras são fundamentais para diversas cadeias produtivas nos Estados Unidos.
“O mercado americano é muito importante para o Brasil, é muito importante para as empresas brasileiras, e as exportações do Brasil para os Estados Unidos também são muito importantes para as empresas americanas”,
declarou.
Para ele, o tarifaço é
“completamente desnecessário”.
O representante da ApexBrasil citou exemplos concretos de produtos brasileiros que não têm substitutos fáceis no mercado norte-americano. Rochas, mel — descrito como de produção essencialmente orgânica — e café foram mencionados como itens em que os Estados Unidos dependem diretamente do fornecimento brasileiro.
Müller destacou que, no caso do café,
“a cada US$ 1 de importação, os americanos faziam US$ 43 no mercado interno”.
Müller também ressaltou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos não recaem sobre o Brasil, mas sim sobre os próprios importadores norte-americanos.
“Quem paga a tarifa é quem está importando, quem está internalizando esse produto nos Estados Unidos”,
afirmou. Segundo ele, isso gera dificuldades para os empresários norte-americanos e pressiona a inflação no país.
Além disso, Müller apontou que os Estados Unidos registram superávit comercial com o Brasil, e não o contrário.
“Basta ver que são os Estados Unidos que têm superávit com o Brasil e não o Brasil tem superávit com os Estados Unidos”,
disse, reforçando o argumento de que a relação comercial é favorável ao lado norte-americano.
Paralelamente às negociações, a ApexBrasil tem trabalhado na diversificação dos mercados de exportação das empresas brasileiras. Müller informou que a agência acompanha 2.400 empresas que exportam para os Estados Unidos e que, do ano passado para cá, 72% delas já diversificaram seus destinos de exportação.
“Continuam exportando para os Estados Unidos, mas ao mesmo tempo passaram a exportar para outros mercados”,
explicou.
Entre as iniciativas de diversificação, Müller mencionou feiras, rodadas de negócios e o acordo Mercosul-UE (União Europeia) como elementos relevantes. Ele também destacou que as exportações brasileiras registraram um novo recorde, conforme dados divulgados na sexta-feira (3) anterior à entrevista.
