Itabaiana · sábado · 03 de outubro de 2026
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A Copa do Mundo de 2026 trouxe à tona a relevância da saúde mental dos atletas. Nos últimos meses, jogadores como Neymar, 34, têm ressaltado a importância de buscar apoio psicológico em momentos desafiadores, ampliando um debate que ganha força no esporte de alto rendimento.

Especialistas afirmam que o acompanhamento psicológico deixou de ser visto como uma ferramenta apenas em situações de crise e agora é parte integral da preparação de quem atua sob constante pressão.

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“Disputar uma Copa do Mundo envolve lidar com muito mais do que os desafios dentro de campo. Representar um país significa carregar as expectativas de milhões de pessoas. Mesmo atletas experientes não estão imunes a essa pressão, que muda de forma com o tempo”, explica Ticiana Paiva, doutora em Psicologia e head de Psicologia da Starbem.

A pressão durante a Copa pode fazer com que os jogadores entrem em um estado contínuo de alerta, caracterizado por medo de errar, autocobrança excessiva e dificuldade para relaxar. Isso pode impactar negativamente habilidades essenciais para uma partida, como concentração, tomada de decisão e qualidade do sono.

Apesar dos avanços, ainda existe resistência em relação à terapia no futebol. “Durante muito tempo, buscar ajuda psicológica foi associado à fragilidade. Felizmente, isso está mudando, pois atletas de elite falam abertamente sobre ansiedade, depressão e outros desafios emocionais”, destaca Ticiana.

Atualmente, muitos clubes entendem que cuidar da saúde mental é parte da preparação esportiva, não apenas uma medida para momentos de sofrimento intenso. A psicóloga enfatiza que a ideia de que um atleta deve sempre demonstrar força é equivocada. “Força psicológica é sobre reconhecer e processar suas emoções, e seguir em frente com clareza”, esclarece.

A terapia permite que os jogadores desenvolvam autoconhecimento, lidem melhor com críticas, reduzam a ansiedade e enfrentem os efeitos emocionais de erros, derrotas ou lesões. Além do acompanhamento clínico, a Psicologia do Esporte ensina habilidades como foco, controle emocional, resiliência e concentração.

Técnicas de visualização, exercícios de respiração, treino mental e rotinas pré-jogo são ferramentas que ajudam os atletas a manterem sua estabilidade emocional durante partidas decisivas. O apoio psicológico também é crucial para estabelecer limites saudáveis diante de críticas nas redes sociais e fortalecer a identidade do jogador além de seu desempenho em campo.

Conflitos pessoais, como separações e problemas familiares, podem afetar diretamente o rendimento esportivo. Ticiana observa que relações saudáveis funcionam como uma rede de apoio importante para os atletas.

Ela conclui que o acompanhamento psicológico é essencial para melhorar a performance esportiva. “A psicologia não ensina a vencer, mas minimiza interferências emocionais que podem comprometer o desempenho. Em esportes de alto rendimento, a capacidade de manter confiança e estabilidade emocional sob pressão muitas vezes faz a diferença”, finaliza.

Cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar do corpo. Ticiana reafirma que “performance sem cuidado cobra um preço alto. Precisamos normalizar a ideia de que a mente também se sobrecarrega e deve ser cuidada”.

“Pedir ajuda não diminui a força de ninguém. Antes de serem ídolos, jogadores são humanos. Nenhuma vitória vale a perda de si mesmo”, conclui Ticiana Paiva.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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