Itabaiana · sábado · 03 de outubro de 2026
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O Ibovespa deve apresentar desempenho abaixo de outros mercados emergentes ao longo do ano, segundo Mauricio Valadares, CIO da Nau Capital. Ele atribuiu essa perspectiva a uma combinação de fatores internos e externos que impactam negativamente o mercado acionário brasileiro.

Valadares destacou dois principais limitadores para uma valorização significativa do índice: a elevada taxa de juros no país e a composição do Ibovespa. Ele afirmou que “o patamar de taxa de juros no país é restritivo, com altas taxas nominais e altas taxas reais, o que por si só já impede uma valorização significativa do Ibovespa”. Além disso, o peso considerável de petróleo e minério de ferro na composição do índice também contribui para uma visão menos otimista em relação ao mercado.

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O CIO da Nau Capital também comentou sobre a mudança na percepção dos investidores globais em relação ao Brasil. Essa mudança está associada ao crescimento do setor de tecnologia, especialmente em decorrência da euforia em torno da inteligência artificial. Mercados como Taiwan, Japão e Coreia do Sul têm atraído mais atenção, pois abrigam empresas com revisões significativas de lucros. Valadares afirmou que “o investidor global olha essas revisões e, obviamente, tenta não ficar de fora desse possível movimento”.

Com a ausência de um setor de tecnologia de destaque comparável, o Brasil passou a ser visto como menos prioritário para o capital estrangeiro. No início de conflitos geopolíticos recentes, o Brasil se beneficiou da alta do petróleo, mas essa vantagem competitiva foi perdida com a normalização dos preços da commodity. Valadares comentou que “o Brasil deixou de ter essa vantagem competitiva que tinha no auge da guerra”.

Ao avaliar os desafios para a consolidação do mercado de capitais brasileiro, Valadares ressaltou que os altos juros são um fator limitador, mas não o único. Ele também mencionou questões institucionais como um peso negativo, citando escândalos que afastam investidores. “Escândalos como o recente caso do Banco Master vão tirando um pouco do ímpeto de grandes players institucionais globais entrarem com mais força no nosso mercado”, afirmou.

Em relação ao impacto das eleições nos ativos financeiros, Valadares observou que o mercado já precifica a continuidade do governo atual, com baixa expectativa de reformas estruturais significativas nos próximos quatro anos. “A probabilidade de o governo atual endereçar o fiscal de forma mais sustentável e definitiva ao longo dos próximos quatro anos é baixa”, pontuou.

Ele também mencionou que, mesmo em um cenário de mudança no poder, não haveria expectativa de alterações transformadoras, o que faz com que o tema eleitoral permaneça em segundo plano para o mercado. Valadares não descartou, no entanto, que a discussão possa ganhar relevância à medida que as eleições se aproximem.

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