Itabaiana · sábado · 03 de outubro de 2026
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Os Estados Unidos celebram 250 anos de independência, consolidando-se como a maior potência econômica, militar e tecnológica do mundo. Contudo, a posição atual do país difere bastante daquela que ocupava no auge de sua hegemonia, logo após o fim da União Soviética. Esta análise é apresentada por Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF, que discute o legado e os desafios enfrentados pelos EUA neste importante momento histórico.

Brustolin destaca que a Declaração de Independência de 1776 foi, até o momento, “uma declaração relativamente bem-sucedida”. A Constituição americana, promulgada em 1787, continua vigente e seus mecanismos fundamentais “sobreviveram a guerras, depressões econômicas, transformações sociais e crises constitucionais”.

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No entanto, apesar da solidez histórica das instituições, o professor aponta que esse arcabouço institucional foi desafiado nos últimos anos. “O atual presidente já desafiou essa institucionalidade no primeiro mandato”, afirma, referindo-se à invasão ao Capitólio que ocorreu no final do governo anterior, um episódio pelo qual Donald Trump foi julgado por tentativa de insurreição. Para Brustolin, isso representa um desafio interno significativo à tradição democrática americana.

O professor também lembra que os ideais fundadores dos Estados Unidos — inspirados nas ideias do filósofo inglês John Locke e sintetizados na frase “todos os homens são criados iguais” — sempre foram questionados ao longo da história do país. “Isso sempre foi contestado por discriminação racial, questões de escravidão e, posteriormente, por desigualdade social”, ressalta Brustolin.

No âmbito internacional, o analista observa que, embora os Estados Unidos ainda sejam líderes mundiais, já não gozam da supremacia incontestável que tinham entre 1990 e o início dos anos 2000, período que se seguiu à queda da União Soviética. “A maior parte dos colegas analistas concorda que existe uma predominância contestada do poder dos Estados Unidos nesse momento”, afirma Brustolin.

Segundo ele, essa contestação é impulsionada principalmente pelo crescimento da China, introduzindo no cenário internacional o que ele denomina de “armadilha de Tucídides” — um conceito que se refere à rivalidade entre potências estabelecidas e emergentes. O tema, conforme aponta o analista, merece uma discussão mais aprofundada sobre o futuro da liderança americana nos próximos anos.

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