O investidor estrangeiro “não tem medo de Lula”, destacou David Beker, chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do BofA (Bank of America), em conversas com clientes. O economista observou que os fluxos de capital não têm favorecido o Brasil, atribuindo essa situação mais a fatores internacionais do que a questões internas.
Entre os fatores internacionais, Beker mencionou a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos, alocações em inteligência artificial e o arrefecimento da tensão no Oriente Médio, que resultou em uma queda acentuada nos preços do petróleo. Essas questões têm impactado diretamente o fluxo de investimentos no país.
As análises de Beker foram apresentadas durante um encontro com jornalistas, na última sexta-feira (3), em São Paulo. Ao ser questionado sobre as incertezas em torno das eleições de outubro, ele ressaltou que o investidor estrangeiro não teme uma possível reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma vez que o candidato já é conhecido por eles.
Apesar dessa confiança, Beker reconheceu que o mercado está reagindo a notícias relacionadas ao pleito, o que torna difícil a formação de posições mais estruturais entre os investidores. Assim, aqueles que operam nesse contexto tendem a focar mais em negócios de curto prazo.
O BofA havia projetado que o Ibovespa alcançaria 210 mil pontos neste ano, impulsionado por um rali que levou a bolsa a um recorde histórico de 195 mil pontos em abril. No entanto, desde então, o índice começou a apresentar quedas, fechando o primeiro semestre em torno de 172 mil pontos, com uma sequência de meses negativos.
Beker apontou que o ímpeto da bolsa diminuiu, resultando em uma “redução de estrangeiros em todos os ativos”. Ele destacou que o capital internacional era o principal motor do mercado. Com isso, o cenário macroeconômico externo incerto se tornou o principal responsável pela mudança de direção dos investidores.
Além disso, Beker mencionou que não há expectativas de grandes gatilhos que possam levar o mercado brasileiro a retomar o rali anterior. Atualmente, a indústria de fundos local enfrenta dificuldades com resgates de investidores, e a única possibilidade de uma mudança de cenário seria uma queda nos juros maior do que a esperada.
