Itabaiana · sexta-feira · 02 de outubro de 2026
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A Embaixada da Alemanha no Brasil realizou, nesta sexta-feira (3), um encontro em Brasília para discutir parcerias entre os dois países no setor de terras raras. Esses minerais são considerados estratégicos para a transição energética, defesa, eletrônicos e tecnologias avançadas.

O evento contou com a presença do ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, além de representantes do governo brasileiro e do setor privado. Do lado brasileiro, participaram integrantes do Ministério de Minas e Energia (MME), do Ministério da Fazenda, do BNDES e da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

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A iniciativa faz parte dos esforços da Alemanha para se posicionar como parceira do Brasil em uma cadeia que ainda não está completamente desenvolvida no país, mas que vem atraindo o interesse de grandes economias. A mensagem da Alemanha é que pode contribuir não apenas como compradora de minerais, mas também com capital, tecnologia e articulação com empresas interessadas em projetos brasileiros.

Durante o evento, empresas que possuem projetos de terras raras no Brasil apresentaram suas iniciativas aos representantes alemães. Entre as companhias presentes estavam Aclara, Brazilian Rare Earths, Cabo Verde, Rare Earth Americas, St George Mining e Viridis Mining and Minerals. A maioria desses projetos ainda se encontra em fase de desenvolvimento, com diferentes estágios de pesquisa, licenciamento, testes metalúrgicos e estruturação financeira.

O foco do encontro foi discutir oportunidades de parceria, aproximar investidores e destravar conversas comerciais. Para o governo brasileiro, o tema é sensível, pois o país busca evitar o modelo tradicional de exportação de minério bruto, defendendo maior agregação de valor em seu território.

A aproximação acontece em um momento em que a Europa busca diversificar suas cadeias de suprimento de minerais críticos e reduzir a dependência da China, que domina etapas relevantes do processamento de terras raras e da produção de ímãs permanentes. Estes ímãs são utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.

A Alemanha e a União Europeia também buscam se diferenciar de outros potenciais parceiros do Brasil, especialmente os Estados Unidos. Embora Washington tenha ampliado seu interesse por minerais críticos nos últimos anos, interlocutores brasileiros percebem que a relação com os europeus tem avançado com menos ruído político e maior disposição para discutir transferência tecnológica e agregação de valor local.

“Não vou chamar de preferência, mas temos mais proximidade (com a UE). Com algumas empresas, pensamentos, com algumas atitudes. Acho que a Alemanha tem essa liderança e capacidade de fazer essa articulação com vários fundos e empresas”, afirmou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, durante o evento.

A fala de Müller reforça a percepção de que o governo brasileiro vê a parceria com a Alemanha como uma das opções mais concretas dentro da estratégia de atrair capital estrangeiro sem abrir mão da industrialização local.

Um dos instrumentos que podem ser utilizados nesta discussão é o German Raw Materials Fund, um fundo alemão destinado ao apoio de projetos de matérias-primas críticas. O fundo, operado pelo banco público KfW em nome do governo da Alemanha, pode participar de projetos de mineração, processamento e reciclagem, desde que contribuam para a segurança de suprimento da indústria alemã e europeia.

As regras do fundo estipulam que os aportes geralmente variam entre € 50 milhões e € 150 milhões por projeto e priorizam estruturas com contratos de fornecimento de longo prazo para unidades industriais na Alemanha ou na União Europeia.

Para as empresas de terras raras no Brasil, a possibilidade de acessar capital europeu é considerada relevante, uma vez que o setor exige investimentos elevados antes da produção comercial.

A ofensiva alemã ocorre após uma movimentação mais ampla da União Europeia no Brasil. Em junho, o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, esteve no país para discutir minerais críticos, visitou projetos de terras raras e defendeu uma parceria que combine fornecimento de longo prazo, financiamento, transferência de tecnologia e processamento local.

Para o Brasil, a janela de oportunidade reside na combinação entre potencial geológico, demanda internacional e disputa geopolítica por cadeias menos dependentes da China. Para a Alemanha, o interesse é assegurar acesso a insumos essenciais para sua indústria, especialmente em setores como automóveis, energia renovável, equipamentos eletrônicos e defesa.

Apesar do crescente interesse, ainda existem desafios significativos. Projetos de terras raras dependem de licenciamento ambiental, comprovação de viabilidade econômica, domínio de rotas metalúrgicas complexas e contratos de venda que justifiquem o financiamento. A fase de separação e processamento, em particular, é considerada um dos principais gargalos para transformar reservas minerais em uma cadeia industrial eficaz.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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