Itabaiana · sexta-feira · 02 de outubro de 2026
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Nas águas agitadas do oeste de Gana, um pescador retira de sua rede uma criatura impressionante — um peixe-guitarra, que é metade tubarão e metade arraia. Este animal, conhecido como um ‘fóssil vivo’, tem ancestrais que nadavam nos mesmos oceanos jurássicos que os dinossauros. Atualmente, esse peixe está entre as espécies mais ameaçadas do oceano. Suas barbatanas são vendidas por altos preços em mercados asiáticos, onde são utilizadas na produção de sopas de luxo, o que o leva à beira da extinção.

Um pescador, ao medir o animal e anotá-lo antes de devolvê-lo ao mar, está realizando um pequeno gesto que representa uma década de trabalho do biólogo marinho Dr. Issah Seidu. Sua pesquisa é fundamental para o conhecimento que Gana possui sobre seus tubarões e raias. O Dr. Seidu alerta: “Essas espécies estão silenciosamente entrando em extinção sem que ninguém saiba”, enfatizando que todas as quatro espécies de peixe-guitarra do país estão criticamente ameaçadas.

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Atualmente, como professor universitário e fundador da organização sem fins lucrativos AquaLife Conservancy, Seidu e sua equipe têm trabalhado para conscientizar as comunidades locais, transformando pescadores em guardiões dos peixes que costumavam pescar. Esse esforço lhe rendeu o Prêmio Whitley, uma honraria internacional para conservacionistas de base.

Embora o peixe-guitarra não seja tecnicamente um tubarão, ele pertence ao grupo das ‘raiass-rinoceronte’, que conta com 68 espécies mundialmente, das quais quase três quartos estão ameaçadas de extinção. Gana enfrenta a ameaça do desaparecimento de espécies como o peixe-serra e o peixe-cunha, tornando o trabalho de conservação ainda mais urgente. “Não queremos que o peixe-guitarra sofra um destino semelhante”, diz Seidu.

Este peixe é extremamente vulnerável à sobrepesca, pois habita águas rasas, cresce lentamente e tem poucos filhotes. Como predador de nível intermediário, o peixe-guitarra desempenha um papel crucial na cadeia alimentar, e sua remoção pode causar sérios danos ao ecossistema marinho. Nos últimos anos, as comunidades costeiras, que tradicionalmente pescavam sardinhas e anchovas, têm visto suas capturas diminuírem, enquanto frotas industriais de arrasto dominam as áreas de pesca.

A organização Environmental Justice Foundation revelou que 90% dessas frotas industriais são de propriedade de empresas chinesas, operando sob bandeiras ganenses para evitar taxas. Uma nova lei aprovada em Gana visa afastar essas embarcações da costa, mas sua eficácia depende da fiscalização.

Além disso, a prática ilegal conhecida como ‘saiko’ tem se proliferado, onde pescadores transferem toneladas de peixes congelados para embarcações menores, prejudicando ainda mais as populações locais. Com a diminuição dos peixes pequenos, muitos têm recorrido ao peixe-guitarra, aumentando a pressão sobre essa espécie já ameaçada.

As barbatanas do peixe-guitarra são altamente valorizadas, sendo vendidas legalmente em Gana, mas a maioria acaba em mercados da China, onde algumas são comercializadas como barbatanas de tubarão. O comércio global de barbatanas é estimado em bilhões de dólares, resultando na morte de até 100 milhões de tubarões por ano, incluindo muitos peixes-guitarra.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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