Com os juros elevados afetando o orçamento das famílias brasileiras, trocar dívidas caras por opções mais acessíveis tem se tornado uma estratégia cada vez mais comum para reorganizar as finanças. O cartão de crédito e o cheque especial estão entre as alternativas mais onerosas do mercado, enquanto opções como o Crédito do Trabalhador e empréstimos consignados oferecem taxas mais competitivas para quem busca sair do endividamento.
Dados do Banco Central mostram que os juros do rotativo do cartão de crédito continuam entre os mais altos do país, mesmo após mudanças regulatórias que visam limitar os encargos dessa modalidade. O cheque especial, por sua vez, mantém taxas médias superiores a 8% ao mês, o que pressiona os consumidores que costumam utilizar essas linhas como complemento de renda.
Por outro lado, modalidades de crédito com garantia de renda, como o consignado privado e o Crédito do Trabalhador, têm ganhado destaque por oferecer custos menores e parcelas mais previsíveis. O Ministério do Trabalho e Emprego informou que o Crédito do Trabalhador já movimentou bilhões em operações desde sua criação, com muitos consumidores utilizando esse recurso para quitar dívidas mais caras e reorganizar seu orçamento.
“Uma dívida no rotativo do cartão pode crescer rapidamente e comprometer boa parte da renda mensal. Quando o consumidor troca essa dívida por uma modalidade mais barata, ele reduz a pressão no orçamento e ganha previsibilidade financeira”, afirma Fabricio Federici, Diretor de Crédito da Gooroo Crédito.
Para ajudar os consumidores a entenderem quando essa troca pode ser benéfica, Federici lista algumas dicas importantes. Primeiramente, é fundamental comparar os juros antes de contratar qualquer crédito. Avaliar o custo total da operação é essencial, já que o cartão de crédito e o cheque especial costumam ter taxas muito superiores às de linhas consignadas ou estruturadas para reorganização financeira.
Outra orientação é utilizar o novo crédito para quitar a dívida antiga e não para aumentar o consumo. O crédito mais barato deve ser usado de maneira estratégica, priorizando a quitação de dívidas caras para evitar acumular diferentes parcelas ao mesmo tempo. “Trocar uma dívida cara por outra mais acessível só funciona quando existe disciplina financeira”, explica o especialista.
Além disso, é importante avaliar o impacto da nova parcela no orçamento mensal. Mesmo com juros mais baixos, a nova parcela deve caber no orçamento sem comprometer despesas essenciais. Consumidores que reorganizam suas dívidas podem conseguir reduzir o valor das parcelas e recuperar a capacidade de planejamento financeiro.
Federici também ressalta a importância de considerar o Custo Efetivo Total (CET) e não apenas a taxa de juros. O consumidor deve ficar atento a tarifas, seguros e demais encargos incluídos na operação, pois o CET revela o valor real da contratação. Comparar propostas entre instituições financeiras é fundamental antes de tomar qualquer decisão.
Por fim, a educação financeira é crucial para evitar o efeito “bola de neve” e desenvolver hábitos financeiros saudáveis. Utilizar linhas de crédito mais acessíveis para substituir dívidas caras pode ser um passo importante para a recuperação da saúde financeira, desde que acompanhado de planejamento e consumo consciente. “O crédito pode ser um aliado importante na reorganização financeira, mas ele não substitui o controle do orçamento”, conclui Federici.
