Itabaiana · sexta-feira · 02 de outubro de 2026
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Um estudo recente revela que, após o terremoto de magnitude 9,0 que abalou o Japão em 11 de março de 2011, o solo do país sofreu um deslocamento duradouro. Cerca de 15 minutos após o início do terremoto, às 14h46 (horário local), medições de estações de GPS mostraram que praticamente todo o Japão se deslocou para o leste.

Embora esse deslocamento tenha sido pequeno, de 5 a 6 milímetros, ele foi permanente e passou despercebido na época, sendo muitas vezes atribuído a falhas nos dados. No entanto, a geofísica Sunyoung Park, da Universidade de Chicago, acreditava que os sinais registrados indicavam um fenômeno concreto.

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De acordo com Park, o movimento do solo foi algo “extraordinário” e, até então, não documentado. “O que houve de incomum nesse movimento é que, basicamente, todo o Japão se deslocou de maneira quase uniforme e simultânea”, afirmou ela.

O deslocamento afetou o território do Japão, desde Hokkaido até Kyushu, abrangendo uma extensão aproximada de 3 mil quilômetros. Este movimento não coincidiu com o momento do terremoto inicial, ocorrendo antes de quaisquer réplicas significativas.

Após anos de análise de dados de GPS e registros sísmicos, Park e sua equipe descobriram que as ondas geradas pelo terremoto se propagaram até o núcleo da Terra e, em seguida, ricochetearam de volta à crosta, deslocando quatro grandes placas tectônicas.

Embora sismólogos já soubessem que ondas de grandes terremotos podem atravessar o interior do planeta e refletir no núcleo externo, acreditava-se que a energia se dissipava antes de retornar à crosta. “Esse tipo de onda que penetra profundamente e desencadeia algum evento é algo novo”, explicou Park.

O terremoto de março de 2011 foi o pior já ocorrido no Japão, desencadeando um tsunami gigantesco e uma crise nuclear, além de causar a morte de cerca de 20 mil pessoas. Park alertou que as autoridades devem estar cientes dessa nova fonte de risco sísmico, que até então era desconhecida.

Embora as réplicas não possam ser previstas com precisão, o trajeto até o núcleo da Terra, uma distância de cerca de 5.800 quilômetros, leva aproximadamente 15 minutos. Isso torna o evento sísmico passível de previsão e preparação.

O deslocamento de 2011 abrangeu as zonas de encontro das placas tectônicas do Pacífico e de Okhotsk, além da fronteira entre as placas do Mar das Filipinas e da Eurásia. O forte tremor inicial pode ter facilitado a chegada da onda proveniente do núcleo, que reativou falhas nas proximidades do sismo principal e desencadeou movimentos ao longo de zonas de encontro de placas mais distantes.

Apesar de o Japão contar com uma rede avançada de monitoramento sísmico e por satélite, é possível que fenômenos semelhantes ocorram em outras partes do mundo, em regiões com menos instrumentação. O movimento do solo em um vasto sistema de falhas sob o Japão nunca havia sido associado à chegada de uma onda sísmica que sofre reflexão no núcleo, conforme apontado por especialistas.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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