A cineasta Helena Solberg, reconhecida como uma das figuras mais influentes do documentário brasileiro e pioneira do cinema feminista no Brasil, foi homenageada na noite de abertura da 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, realizada nesta quarta-feira (25), na Cine Praça. Esta edição da mostra traz o tema “Um país existe nas imagens que preserva”, refletindo o compromisso com a valorização da memória audiovisual e o reconhecimento das mulheres que contribuíram para o cinema brasileiro.
A CineOP, que ocorre na histórica cidade de Ouro Preto (MG), organiza sua programação em torno de três eixos principais: preservação, educação e história. O evento promoverá debates, exibições e encontros que discutirão a importância da conservação do patrimônio audiovisual e seu papel na formação da identidade cultural do Brasil.
Antes da abertura oficial, o público foi recebido pela Sociedade Musical Senhor Bom Jesus das Flores, que animou a Praça com música. Em seguida, alunos do curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) realizaram uma performance audiovisual sob a direção de Chico de Paula, criando um ambiente festivo que marca a mostra.
A homenagem a Helena Solberg é especialmente significativa nesta edição, que ressalta a contribuição das mulheres cineastas brasileiras para o desenvolvimento do audiovisual nacional. Ao longo de sua carreira, a diretora abriu portas para novas gerações de cineastas, abordando questões sociais, políticas e de gênero de forma inovadora e autoral.
“Estou muito feliz em estar de volta. Agradeço muito essa oportunidade de estar aqui novamente.”
Ao receber a homenagem, Helena expressou seu contentamento e destacou sua terceira participação na CineOP, onde já esteve presente nas edições de 2014 e 2018, fortalecendo sua conexão com o festival que valoriza a memória cinematográfica.
A homenagem a Solberg se desdobra por toda a programação, que inclui uma retrospectiva de sua filmografia. A sessão de abertura exibiu “A Entrevista” (1966), um marco do cinema feminista brasileiro, junto com o curta “Meio Dia” (1970), obras essenciais para entender seu olhar sobre as relações sociais e de gênero.
Outro destaque da retrospectiva é o documentário “Carmen Miranda: Bananas Is My Business” (1995), onde Helena revisita a trajetória da artista brasileira que se destacou em Hollywood, oferecendo uma visão mais complexa e humana de sua figura, além dos estereótipos que marcaram sua carreira.
A 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto acontece entre os dias 25 e 30 de junho e apresenta diversas mostras, incluindo a Mostra Competitiva Contemporânea, que reúne filmes em pré-estreia nacional, e a Mostra Histórica e Homenagem, que traz obras representativas do cinema brasileiro.
