Itabaiana · quarta-feira · 30 de setembro de 2026
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A postura de Donald Trump em relação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e aos países europeus gera crescente tensão geopolítica.

O especialista Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), afirma que Trump deixa claro que a proteção americana tem um preço: o alinhamento com a agenda estratégica dos Estados Unidos.

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“Em vários momentos ele lembrava que vários compromissos que os europeus estavam colocando em execução tinham sido assumidos com o ‘Trump 45’ [como 45º presidente dos EUA], a partir de 2017”, destacou o professor.

Moita explica que a visão de Trump é de que os aliados europeus não devem ser vistos como parceiros, mas como estados que precisam ser pressionados a seguir a vontade americana. Segundo ele, “são quase que vassalos da vontade de Trump e de seu grupo no poder”.

A lógica de Trump se torna ainda mais evidente ao observar o perfil das figuras que compõem a elite do Pentágono, como Pete Hegseth, o general Anthony Tata e Elbridge Colby, este último descrito como totalmente favorável ao pivô para o Pacífico e à contenção da China.

Além disso, Moita chama atenção para uma crise no exército americano, que envolve o pedido de passagem à reserva do general Christopher Donahue, atual comandante supremo aliado na Europa. Segundo o especialista, Donahue é uma figura respeitável com longa carreira em operações especiais e é um dos mais vocais apoiadores da Ucrânia dentro do Pentágono.

“Ele é um dos mais vocais apoiadores da Ucrânia que existem hoje dentro do Pentágono”, afirmou Moita, ressaltando que a saída forçada do general evidencia as prioridades do atual governo americano.

Outro episódio que ilustra a pressão americana sobre os europeus envolveu a Itália. Moita recorda que Trump revelou publicamente que a Itália apoiou mais de 500 voos de aeronaves americanas a partir de bases italianas durante as operações contra o Irã. Essa declaração gerou repercussão política na Itália, com pedidos da oposição para que o governo esclarecesse a natureza desses voos, uma vez que a primeira-ministra havia afirmado anteriormente que eram apenas logísticos e de apoio técnico.

“Com essa revelação, isso fica muito pior”, avaliou o especialista.

Moita observa que, embora os europeus venham discutindo autonomia estratégica desde 2017, a execução concreta dessas iniciativas não avança na velocidade necessária, nem para atender às demandas americanas, nem para suprir adequadamente a própria Ucrânia. Esse vácuo é o espaço que Trump aproveita para pressionar os aliados.

Ele ainda cita declarações de Mark Rutte no Salão Oval, onde mencionou o chamado “trilhão do Trump”: US$ 1,2 trilhão gastos pelos europeus em defesa desde o primeiro mandato de Trump, sendo US$ 300 bilhões desse total investidos no complexo industrial militar americano desde o início do atual mandato.

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