Itabaiana · quarta-feira · 30 de setembro de 2026
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Durante a pandemia de Covid-19, a demanda por produtos como álcool em gel aumentou significativamente, levando diversas empresas a buscarem alternativas para reduzir a dependência de matérias-primas tradicionais, como a cana-de-açúcar. Essa busca por inovação, somada ao crescimento do consumo de alimentos industrializados e à geração de resíduos orgânicos, deu origem ao projeto AmbiÁlcool, que visa produzir etanol a partir de resíduos da indústria alimentícia.

Gabriel Estevam, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Ambipar, explicou em entrevista que a iniciativa começou com o desenvolvimento de álcool comum para limpeza e higienização. Com o tempo, a pesquisa se expandiu para o uso de resíduos alimentares como matéria-prima para a produção de etanol.

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“Começamos a olhar para essas matrizes ricas em açúcar e amido, como balas, doces, restos de pães, chocolates, refrigerantes e sucos, e iniciamos um processo piloto”, afirmou Estevam.

O projeto passou por uma fase intensa de testes e validação de qualidade, com a empresa avançando para a etapa final de desenvolvimento em meados de 2025. O novo combustível foi apresentado como uma alternativa ao etanol convencional, que é predominantemente produzido a partir da cana-de-açúcar e do milho no Brasil.

Sobre a disponibilidade de insumos, Estevam destacou que a atuação da empresa na gestão de resíduos industriais facilita o acesso à matéria-prima necessária. “Nós temos grandes contratos tanto com a indústria de alimentos quanto com a indústria de bebidas. Fazemos toda a logística da coleta, seja dentro da própria indústria ou no pós-consumo”, explicou.

“É um projeto verde de ponta a ponta”, disse, ao enfatizar a importância de manter os materiais em circulação pelo maior tempo possível.

O etanol produzido a partir de resíduos já começa a se inserir em diferentes mercados, incluindo combustíveis, produtos de limpeza e perfumaria. A estratégia da empresa também envolve a criação de uma cadeia de distribuição ampla. “Nós pensamos em plugar isso de uma forma que a legislação permita a venda direta”, comentou Estevam.

Atualmente, a empresa já opera um posto em Nova Odessa, São Paulo, que é utilizado para abastecimento da frota interna e para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. “A nossa ideia é expandir. Apenas uma parte da produção vai para o posto; o restante é destinado a outras finalidades”, destacou.

A competitividade do etanol de resíduos também foi ressaltada. Segundo Estevam, a economia gerada na gestão de resíduos reduz custos e torna o produto final mais atrativo. “O valor do etanol de resíduos industriais é muito competitivo”, afirmou.

O projeto já alcançou 600 toneladas mensais de resíduos disponíveis para processamento, resultando na produção de aproximadamente 250 mil litros de etanol. Estevam concluiu que o etanol é um legado importante e que o Brasil deve explorar mais novas matrizes energéticas.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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