Itabaiana · segunda-feira · 28 de setembro de 2026
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Abelardo De La Espriella conquistou a presidência da Colômbia no domingo (21), aprofundando a virada conservadora no continente. O resultado reflete o desgaste da esquerda e a insatisfação popular com economia e segurança.

A vitória de Abelardo de la Espriella, conhecido como “El Tigre”, nas eleições presidenciais da Colômbia, realizadas no domingo (21), marca um avanço significativo das lideranças conservadoras na América Latina. Esse movimento surge em resposta ao desgaste de governos de esquerda e à crescente insatisfação da população em relação à economia e à segurança pública.

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Bruno Soller, cientista político e sócio da Real Time Big Data, afirma que o resultado vai além de uma simples troca de poder. Para ele, a eleição reforça o enfraquecimento da chamada “onda rosa”, um período de governos progressistas que dominou a política latino-americana na última década. Soller observa que estamos testemunhando uma transformação mais profunda no comportamento eleitoral da região.

“Mais até do que o fim, ou pelo menos uma mudança de mão do movimento rosa para o movimento azul escuro, o que é importante é que a gente tem tido um centro cada vez mais diminuto na América Latina”, declarou Soller.

Segundo Soller, o fenômeno não diz respeito apenas ao crescimento da direita tradicional, mas também ao surgimento de uma direita mais assertiva e confrontadora, inspirada por líderes como o presidente argentino Javier Milei e o salvadorenho Nayib Bukele. Ele destaca que a direita atual é mais afirmativa do que a direita tradicional.

“A gente está tendo sempre uma sobreposição à direita, mas de uma direita mais afirmativa do que a direita tradicional”, acrescentou.

Dois fatores principais contribuem para essa mudança: a falta de respostas da esquerda em questões econômicas e o caos na segurança pública. A inflação reduziu o poder de compra da população e a sensação de insegurança levou os eleitores a buscar candidatos que prometem um enfrentamento mais rigoroso contra a criminalidade.

A vitória de De la Espriella ocorre em um contexto de críticas à política de “paz total” implementada pelo presidente Gustavo Petro, o primeiro líder de esquerda da Colômbia. Esta estratégia, que buscava negociar com grupos armados, enfrentou resistência devido ao aumento da violência recente.

Para Soller, essa eleição na Colômbia se insere em uma série de movimentos políticos que têm ocorrido na região, incluindo o fortalecimento do fujimorismo no Peru, a reeleição de Daniel Noboa no Equador, a vitória da direita no Chile com José Antonio Kast, e outros exemplos que indicam um cenário cada vez mais desfavorável para governos progressistas.

“Então, a volta do fujimorismo no Peru, De la Espriella na Colômbia, Noboa no Equador e Kast no Chile mostram esse movimento”, concluiu.

No entanto, Soller ressalta que o cenário no Brasil apresenta diferenças significativas. Ele menciona que a direita brasileira já teve oportunidades de governar, mas não conseguiu responder adequadamente às questões que impulsionam o conservadorismo na região. A percepção de piora na segurança durante o governo Lula mantém essa discussão viva no debate político nacional.

A eleição colombiana, assim, reforça uma tendência que pode ter um impacto direto nas disputas presidenciais de 2026, já que segurança pública e custo de vida continuam sendo temas que reorganizam o eleitorado latino-americano.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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