Especialista alerta que R$ 118 bi fora do teto de gastos tornam a situação insustentável. Juros altos agravam o risco para as contas públicas brasileiras.
O governo Lula (PT) anunciou um pacote de benefícios diretos aos eleitores que soma quase R$ 190 bilhões, o que ficou conhecido como o “pacote de bondades”. Desse total, aproximadamente R$ 118 bilhões estão fora do limite de gastos do governo, o que levanta preocupações sobre a saúde fiscal do país.
O especialista em contas públicas, Murilo Viana, participou do programa CNN Prime Time e destacou que um cenário como esse pode abalar a confiança na economia brasileira a longo prazo. Ele alertou que a situação fiscal se torna insustentável, especialmente com a taxa de juros elevada que o Brasil enfrenta atualmente.
Viana ressaltou que o Brasil já possui um nível de dívida considerável para um país de renda média em comparação internacional. Embora o déficit primário brasileiro não seja muito diferente de outros países, a composição da despesa pública é motivo de preocupação. Ele observou que há um espaço muito limitado para o investimento público, que é fundamental para o crescimento econômico.
“Nós temos uma composição da despesa pública muito ruim no Brasil, com baixíssimo espaço destinado, por exemplo, ao investimento público”, afirmou.
Além disso, o especialista chamou atenção para o déficit nominal elevado, que implica em uma despesa de juros bastante significativa. Viana explicou que isso compromete a previsibilidade e a sustentabilidade da situação fiscal do país, especialmente com uma taxa de juros real que varia entre 8% e 9%.
Essa dinâmica, segundo ele, pode levar a um crescimento acelerado da dívida nos próximos anos, o que pode trazer sérias consequências para a economia brasileira. A análise sobre o pacote de benefícios e a composição da despesa pública é fundamental para entender os desafios que o Brasil enfrenta na busca por um crescimento econômico sustentável.
