Itabaiana · terça-feira · 29 de setembro de 2026
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Rodada de negociações entre EUA e Irã terminou nesta segunda (22) sob ceticismo. Para especialista da UnB, Washington negocia movido por agenda própria, não pela paz regional.

A mais recente rodada de negociações entre representantes dos Estados Unidos e do Irã encerrou-se na manhã desta segunda-feira (22), gerando reações contundentes no cenário geopolítico regional.

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Em entrevista, o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Juliano Cortinhas, avaliou os possíveis desdobramentos do processo negociador e os interesses que permeiam as conversações.

“Eu vejo os negociadores do Trump com vários interesses na mesa de negociações, mas esses interesses não passam diretamente pela estabilidade da região”,

afirmou o especialista. Segundo ele, a paz no Oriente Médio seria, na prática, o objetivo menos almejado pelos envolvidos nas negociações.

O professor citou especificamente Jared Kushner como exemplo dessa dinâmica.

“O Jared Kushner não é alguém com capacidade diplomática e não tem esse interesse do Estado americano. Ele é um especulador imobiliário que quer enriquecer com esses acordos”,

declarou Cortinhas, classificando a situação como

“muito lastimável em termos de qualidade da democracia americana”.

Para o analista, Trump teria inserido assessores com interesses próprios nas negociações, em detrimento dos interesses nacionais. Além disso, Cortinhas apontou que há um componente de política doméstica: um acordo minimamente aceitável poderia trazer benefícios eleitorais a Trump e reduzir a insatisfação do eleitorado norte-americano.

A decisão dos Estados Unidos de permitir que o Irã retome a venda de petróleo deixou Israel, segundo o professor,

“absolutamente furioso”.

Cortinhas avaliou que Israel também analisa a situação pelo prisma de sua política interna.

“Netanyahu está enfrentando processos muito sérios internamente e corre inclusive o risco de ser preso depois de sair de sua posição de líder”,

explicou o especialista. Nesse contexto, o professor argumentou que o prolongamento dos conflitos na região — seja na Palestina, com o Irã ou com o Líbano — serviria aos interesses políticos de Netanyahu.

“Ele não quer a paz no Oriente Médio, porque a paz significa que ele pode estar mais próximo de uma saída do seu governo”,

disse Cortinhas. Para o analista, Netanyahu busca se manter como figura indispensável no governo israelense, tentando adiar possíveis processos judiciais internos.

A contenção desse ciclo, segundo ele, dependeria de uma pressão direta dos Estados Unidos sobre Israel, tornando as negociações

“extremamente difíceis, não só com o Irã, mas com toda a região”.

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