Surgido nas ruas de Seattle, o grunge transformou o rock e lançou bandas ao estrelato mundial. Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden definiram uma geração com seu som cru e visceral.
No começo dos anos 1990, o rock passou por uma revolução significativa, e o grunge se destacou como o estilo mais emblemático dessa mudança. Bandas que antes eram vistas como impossíveis de comercializar rapidamente se tornaram grandes sucessos, alterando a percepção do que se considera mainstream.
O grunge é uma fusão de garage rock, punk, metal e rock setentista, indissociável de sua cidade natal: Seattle, nos Estados Unidos. Nomes como Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains e Soundgarden se tornaram ícones da música daquela década.
Nirvana em 1991 – Foto: Paul Bergen / Redferns via Getty Images
Quer saber mais sobre o grunge? O estilo é marcado por um som pesado que combina elementos do garage rock e punk, com melodias marcantes e vocais gritados. A estética do grunge é despojada, com roupas de flanela e vestidos de segunda mão, e suas letras abordam temas introspectivos como tristeza e alienação.
Seattle, a cidade mais isolada dos Estados Unidos, foi o berço do grunge. A maior cidade do estado de Washington está a 13 horas de carro de San Francisco, a metrópole mais próxima. Esse isolamento fez com que tudo que surgisse na cidade permanecesse por lá, enquanto artistas como Jimi Hendrix se mudaram ainda na infância.
Nos anos 1950, o cantor de R&B Richard Berry passou por Seattle e suas músicas se tornaram populares. A banda The Kingsmen gravou um cover de “Louie Louie”, que alcançou o top 20 americano e impulsionou outras bandas locais, como The Sonics.
O termo grunge já era utilizado desde os anos 1950 para descrever um tipo de música suja. Contudo, seu uso no contexto que conhecemos hoje apareceu em um material promocional da gravadora Sub Pop, descrevendo o EP Dry as a Bone da banda Green River, onde se falava de “vocais rasgados e amplificadores rugindo”.
A gravadora Sub Pop, sob a direção de Bruce Pavitt e Jonathan Poneman, percebeu o apelo da mistura de música extrema com elementos pop, criando mitos em torno dos artistas. Jack Endino, produtor renomado, era responsável por criar um “som de Seattle” com orçamentos modestos, gravando álbuns inteiros por apenas US$ 1 mil.
Chris Cornell, do Soundgarden, em 1991 – Foto: Stuart Mostyn / Redferns via Getty Images
Quase todas as bandas relevantes da cena de Seattle passaram pela Sub Pop em algum momento, mas, curiosamente, nenhuma delas estava sob contrato quando estourou nas paradas. Nirvana e Soundgarden, por exemplo, mudaram-se para outras gravadoras em busca de melhores oportunidades.
Outro aspecto importante a ser destacado é a presença significativa de artistas mulheres no movimento grunge, com bandas como L7 e Hole desempenhando papéis cruciais. O movimento foi fortemente influenciado por estudantes das universidades locais, o que trouxe um grande contingente feminino tanto entre os fãs quanto nas bandas.
Embora o grunge esteja intimamente ligado a Seattle, outros artistas, como o Stone Temple Pilots, também foram associados ao estilo por sua sonoridade semelhante e por estarem ativos no mesmo período.











