Falsos alertas com mensagem de ódio foram disparados na madrugada de sábado pelo sistema oficial. O CNDH acionou o MPF para apurar possível invasão hacker por grupos extremistas.
O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) protocolou, no último sábado (20), uma representação solicitando que o Ministério Público Federal (MPF) inicie uma investigação sobre o envolvimento de grupos extremistas no envio de falsos alertas da Defesa Civil.
Na madrugada de sábado, foram disparados alertas sonoros pelo Sistema Defesa Civil Alerta, contendo a palavra “misantropi4”, que significa aversão ou hostilidade à humanidade. O CNDH, por meio de sua Relatoria Especial de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, Extremismo e Neonazismo no Brasil, destacou que uma invasão hacker ao sistema pode provocar “desinformação, insegurança coletiva e pânico social”, além de abalar a confiança da população em um sistema que visa sua segurança.
A representação enfatiza a necessidade de uma “rigorosa apuração” para determinar a autoria da mensagem, suas motivações e possíveis ligações com práticas de disseminação de ódio e radicalização em ambientes digitais.
“Existem elementos que o ataque está ancorado numa prática reiterada de grupos, com conexões internacionais, que se movimentam na propagação do discurso de ódio e extremismo”, afirma o advogado Carlos Nicodemos, conselheiro responsável pela relatoria.
Ainda segundo Nicodemos, a situação não deve ser vista apenas como uma “invasão externa que gerou desinformação”, mas como um possível ato de grupos extremistas. Ele defende que “o Brasil demanda uma política de enfrentamento a este problema”.
Os membros do CNDH ressaltam que, embora ainda não seja possível identificar grupos extremistas específicos, a seriedade do ocorrido exige a investigação de todas as hipóteses plausíveis. O órgão também solicita que seja emitida uma mensagem de “contraordem ao conteúdo ideológico de ódio”.
Além do MPF, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) também foram notificados sobre o caso. A Polícia Federal (PF) já iniciou uma investigação preliminar para apurar o suposto ataque hacker e avaliar se será necessário instaurar um inquérito policial formal.
