O ciclo eleitoral de 2025 redesenhou o mapa político latino-americano. Fragmentação, polarização e virada à direita definem um ano turbulento nas urnas da região.
As eleições na América Latina em 2025 foram marcadas por uma série de fenômenos que impactaram o cenário político regional. Os partidos no poder enfrentaram derrotas, enquanto uma onda de apoio à direita começou a ganhar força. A fragmentação política e a polarização intensa tornam cada vez mais difícil conquistar vitórias decisivas e manter a confiança do público.
No Peru, a contagem de votos foi acirrada, definindo a presidência com uma diferença de menos de 50.000 votos pela terceira vez consecutiva. Esses resultados refletem uma hiperfragmentação política e polarização emocional, características que vêm se espalhando por toda a região.
“O alto nível de competição e a pequena margem entre os candidatos mais votados, juntamente com uma significativa polarização emocional, são fenômenos regionais”, afirmou Flavia Freidenberg, cientista política da UNAM.
Freidenberg também destacou que esse cenário traz desafios significativos para cidadãos, órgãos eleitorais e a mídia. A situação leva muitos líderes a assumir o poder com vitórias de Pirro e pouca legitimidade, enquanto os partidos tradicionais não conseguem mais construir as vantagens esmagadoras que tinham décadas atrás.
O fenômeno das margens de vitória estreitas não é exclusivo do Peru. Em outros países como Honduras, onde Nasry Asfura venceu com menos de um ponto percentual, e na Colômbia, onde a diferença entre candidatos chegou a apenas três pontos percentuais, a competição se revelou intensa. A polarização, segundo o cientista político Daniel Zovatto, tende a fragmentar os votos e dificultar a formação de maiorias claras.
“A polarização, em princípio, tende a levar a uma fragmentação e dispersão dos votos no primeiro turno”, explicou Zovatto.
Ele também observou que, enquanto no Chile a divisão dos votos entre candidatos de direita foi evidente, na Colômbia houve uma concentração de votos em torno de um candidato específico. Esse fenômeno é complexo e varia de acordo com o sistema eleitoral de cada país.
A polarização, embora muitas vezes vista como negativa, pode ter aspectos positivos. Freidenberg argumenta que a polarização saudável é aquela que traz diferentes perspectivas, mas se torna problemática quando usada para deslegitimar o adversário. Essa polarização prejudicial tem se intensificado nas eleições mais recentes, levando à divisão da sociedade em campos mutuamente exclusivos.
“É o que alguns autores chamam de polarização perniciosa, com blocos sólidos dividindo os países em dois”, afirmou Eduardo Gamarra, professor da Universidade Internacional da Flórida.
As divisões políticas atuais na América Latina não são mais facilmente explicadas pela tradicional disputa entre esquerda e direita. Gamarra identificou três eixos relevantes: a divisão de classes sociais, a divisão racial-étnica e a divisão geográfica, com exemplos claros entre diferentes regiões do Peru e da Bolívia. A complexidade do cenário político atual exige uma análise cuidadosa dos fatores que moldam as eleições na região.
