Itabaiana · terça-feira · 22 de setembro de 2026
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O Banco Central cortou os juros em 0,25 ponto, mas o comunicado gerou mais dúvidas do que respostas. Economistas afirmam ter ficado 'desorientados' com os trechos divulgados.

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu, na noite de quarta-feira (17), reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, estabelecendo-a em 14,25% ao ano. Essa decisão gerou um extenso comunicado que causou amplas discussões entre economistas e agentes do mercado.

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“Confuso, confuso, eu concordo”,

afirmou a economista Silvia Ludmer, do Andbank, ao relatar que muitos especialistas ficaram “desorientados” após ler o documento. A economista destacou que, em vez de esclarecer a posição do Banco Central, alguns trechos do comunicado tornaram o cenário “mais incerto e mais confuso”.

Ludmer ainda comentou que não se recorda de um Copom recente que tenha gerado tanto burburinho. Ela identificou duas contradições no texto do comunicado. Primeiro, o Banco Central expressou preocupações como o reaquecimento da atividade econômica, o baixo desemprego, o aumento das expectativas de inflação e a alta nos preços de alimentos, mas, em seguida, justificou a continuidade dos cortes na taxa de juros.

“A gente começou a ler e falou: nossa, ele realmente está endurecendo o tom, está preocupado. E aí, de repente, no próprio texto, ele dá um cavalo de pau e começa a justificar o porquê, apesar de todos esses pontos, deu para cortar mais a taxa Selic”

O segundo ponto de controvérsia foi a decisão de ampliar o horizonte da política monetária. Ao invés de projetar a inflação para o primeiro trimestre de 2027, o Banco Central passou a olhar para o primeiro trimestre de 2028. Isso permitiu que a instituição apresentasse um IPCA projetado mais próximo da meta de 3%, justificando os cortes.

“Se eu ficar olhando cada vez mais para frente, aí dá. Mas, na verdade, não deveria dar, porque é uma espécie de roubadinha”

, avaliou Ludmer. Além disso, ela destacou que as projeções de inflação do Banco Central têm se deteriorado. Em março, o IPCA projetado era de 3,3%, subindo para 3,5% em abril e chegando a 3,7% na última reunião — cada vez mais distante da meta de 3%.

Outro fator mencionado pela economista foi a tensão entre a política monetária e a política fiscal. Pacotes de estímulo do governo, que injetaram entre 150 e 200 bilhões de reais na economia, aqueceram o consumo, dificultando a desinflação.

“Um quer pisar no freio e o outro pisa no acelerador e pisa com força”

, resumiu Ludmer, descrevendo a tensão entre as políticas do Banco Central e do governo. Essa incerteza refletiu no mercado, onde os juros futuros de curto prazo recuaram, enquanto os de longo prazo subiram, sinalizando uma perda de credibilidade do Banco Central.

“A gente já não sabe se ele realmente vai conseguir entregar a meta que ele precisa, junto com o governo que também, em vez de ajudar para a desinflação, atrapalha”

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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