Pequim esgotou a cota anual de importação de carne bovina da Austrália e anuncia sobretaxa imediata. A medida vale a partir de 20 de junho de 2026 e deve redesenhar o comércio global do setor.
O Ministério do Comércio da China (MOFCOM) confirmou nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, que as importações de carne bovina da Austrália atingiram 100% da cota anual estabelecida nas medidas de salvaguarda. Este dado foi divulgado na Circular nº 43 de 2026, emitida pelo Departamento de Defesa Comercial do governo chinês.
Segundo o comunicado, a carne bovina australiana importada sob o regime de salvaguarda chegou ao limite estabelecido pelo Anúncio nº 87 de 2025. Assim, a partir de 20 de junho de 2026, será aplicada uma tarifa adicional de 55% sobre os embarques australianos, além da taxa atualmente vigente.
No início de junho, as importações de carne bovina da Austrália já haviam alcançado 90% do volume permitido para este ano. Naquela oportunidade, o Ministério havia alertado que, uma vez atingido o limite de 100%, a tarifa adicional seria acionada no terceiro dia subsequente.
Essa decisão faz parte do mecanismo de salvaguarda estipulado no acordo comercial entre a China e seus países parceiros, que define limites anuais para certos produtos agropecuários. Quando o volume importado excede a quantidade acordada, tarifas adicionais são automaticamente aplicadas sobre os embarques que ultrapassarem o limite.
“A medida visa regular as importações e proteger a indústria local”, afirmou um porta-voz do MOFCOM.
Além disso, a cota de carne bovina brasileira destinada à China já se encontra 65% preenchida. O governo também descartou a possibilidade de um novo rateio da carne para a China após restrições impostas a frigoríficos. Essa situação poderá impactar o mercado, elevando os preços e reduzindo a oferta no Brasil.
Essas mudanças nas importações e tarifas refletem a dinâmica do comércio internacional e as estratégias adotadas pelos países para proteger suas economias locais e regular o mercado de carnes.
