Itabaiana · sábado · 10 de outubro de 2026
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A Polícia Federal voltou atenções para Jaques Wagner no caso Master. Flávio Bolsonaro aproveitou o momento para sair da defensiva e mudar a narrativa política do escândalo.

As investigações sobre o caso Master abriram uma nova frente na disputa política entre os grupos ligados ao lulismo e ao bolsonarismo. Com a Polícia Federal voltando suas atenções para Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é senador e pré-candidato à Presidência, está tentando sair da defensiva e partir para o ataque, alterando as narrativas em torno do caso.

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Aproveitando um anúncio previamente programado sobre propostas para combater a criminalidade, Flávio declarou que a Polícia Federal “implodiu o PT na Bahia”, transformando o avanço das investigações em uma reação política. Posteriormente, ele também tentou associar Lula à situação, apesar de não haver nenhuma suspeita ou apuração em curso sobre o atual presidente.

Esse movimento ilustra como a investigação está impactando politicamente ambos os lados da polarização. O caso já não representa mais um desgaste concentrado apenas em um dos grupos. Até o momento, aliados da gestão petista tentavam vincular o escândalo diretamente a Flávio, devido às suas conversas e ao seu pedido de dinheiro ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, para o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. Desde que essas conversas foram reveladas, Flávio vinha apresentando queda nas pesquisas de intenção de voto.

“É preciso esclarecer que a Polícia Federal tem autonomia para investigar ‘quem quer que seja’ e ‘doa a quem doer’”, afirmam interlocutores do governo.

O avanço sobre Jaques Wagner, um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está pressionando o Planalto. Nos bastidores, a estratégia do governo é de individualizar o caso, evitando que o desgaste político chegue diretamente ao presidente. A única convergência entre PT e PL, até o momento, é a defesa da CPMI do caso Master, que já é considerada sem futuro, dado que ambos os lados avaliam que a iniciativa provavelmente não terá sucesso.

No dia 18 de junho, durante a 9ª fase da Operação Compliance, a Polícia Federal apreendeu cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil) e 33 mil euros (R$ 196,3 mil) em endereços relacionados a Jaques Wagner, tanto em Brasília quanto em Salvador. Os investigadores indicam que há indícios de que o parlamentar tenha recebido vantagens indevidas, especialmente por meio de sua relação com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e marido da ex-ministra Flávia Peres, do governo Jair Bolsonaro.

Entre os supostos benefícios citados pela PF estão um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões em Salvador, ingressos para um show em Los Angeles, viagens em aeronaves ligadas a Lima ou ao Banco Master e pagamentos suspeitos por meio de uma empresa da nora do senador. Em resposta, a PF alega que Wagner teria atuado em favor de pautas de interesse do banco, como a ampliação da margem do crédito consignado.

A investigação ainda menciona uma mensagem enviada por Augusto Lima a Wagner durante as tratativas para a venda do Master ao BRB, onde o empresário menciona: “Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso”. Para a PF, essa conversa reforça a proximidade entre eles e sugere uma relevância de Wagner em questões sensíveis ao grupo.

Jaques Wagner, em nota, afirmou que está acompanhando as investigações com tranquilidade, negou ter atuado em favor do Banco Master e disse que o apartamento mencionado não é de sua propriedade. Quanto ao dinheiro apreendido, ele esclareceu que se trata de recursos de diárias oficiais de missões internacionais do Senado, declarados e não utilizados.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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