Arma registrada no nome do ex-presidente foi encontrada com ex-agente do GSI. A PCDF aguarda aval de Alexandre de Moraes para convocar depoimento por videoconferência.
A PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal) está à espera de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para convocar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a prestar depoimento sobre a apreensão de uma arma registrada em seu nome. A arma foi encontrada com um ex-agente do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) durante uma blitz.
No dia 18 de junho, a polícia enviou um ofício ao Supremo solicitando autorização para que Bolsonaro seja intimado a prestar depoimento por videoconferência no próximo dia 24 de junho, às 15h. A tentativa de intimação pessoal não foi bem-sucedida, pois a equipe de escolta do ex-presidente impediu a ação.
A investigação teve início após a Polícia Militar do Distrito Federal apreender uma pistola Glock, calibre 9 milímetros, que está registrada em nome de Bolsonaro. O militar que estava portando a arma informou aos policiais que o armamento seria levado para manutenção.
A defesa do ex-presidente confirmou que a pistola apreendida pertence a Bolsonaro. Em manifestação enviada a Moraes no dia 17 de junho, os advogados explicaram que integrantes da equipe de segurança do ex-presidente retiraram, sem seu conhecimento, o percussor da arma, uma peça essencial para o disparo. Isso ocorreu devido ao receio de acidentes, uma vez que Bolsonaro faz uso de medicamentos psiquiátricos que podem afetar sua cognição.
Aliados do ex-presidente expressam preocupações em relação à possibilidade de revogação da prisão domiciliar dele após a apreensão da arma. Eles observam que as decisões do STF têm sido desfavoráveis a Bolsonaro, o que alimenta a apreensão dentro do grupo. Reservadamente, membros do entorno do ex-presidente afirmam que “tudo pode acontecer” diante dessa nova situação. Eles mencionam decisões tomadas pelo Supremo ao longo das investigações e do julgamento envolvendo Bolsonaro, e reforçam críticas à atuação da Corte, argumentando que o país enfrenta um “Estado de exceção” e que o ministro Moraes atua como um “agente político”.
Apesar da apreensão da arma, os aliados insistem que não há motivo para que a Corte altere a decisão sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro. Desde março, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária temporária em sua residência em Brasília, devido a problemas de saúde. O prazo de 90 dias para reavaliação da medida pelo Supremo se encerra no dia 25 de junho.
