Itabaiana · terça-feira · 22 de setembro de 2026
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O governo brasileiro tenta fechar acordo com a União Europeia para evitar restrições ao uso de antimicrobianos na criação animal. Secretário do Mapa se diz otimista com as tratativas.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) está otimista em relação às negociações com a União Europeia (UE) e acredita que é possível chegar a um acordo que evite restrições às exportações brasileiras de carnes, que podem ser afetadas pelo uso irregular de antimicrobianos. Essa avaliação foi feita pelo secretário executivo da pasta, Cleber Soares.

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De acordo com Soares, o governo brasileiro ainda está em conversações com as autoridades europeias para implementar um protocolo de transição que atenda às novas exigências do bloco em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal. Ele enfatizou:

“O assunto está na pauta das negociações e nossa expectativa é avançar positivamente por conta da boa relação entre o Brasil e a União Europeia.”

As discussões não se limitam apenas a questões sanitárias, mas também abrangem temas comerciais, incluindo a ampliação das exportações brasileiras de açúcar e etanol para o mercado europeu. Embora a UE represente menos de 5% das exportações de carnes do Brasil, Soares destacou que o bloco continua sendo um mercado estratégico, principalmente devido ao maior valor agregado que os produtos brasileiros recebem.

O secretário comentou que o governo está trabalhando para manter esse mercado enquanto busca novas oportunidades em outros destinos internacionais. Segundo ele,

“O Japão remunera melhor determinados cortes, o México abriu um mercado importante para a carne brasileira e países africanos também vêm aumentando a demanda, especialmente por carne de frango.”

Além disso, o Ministério considera essencial alcançar um entendimento com os europeus para evitar impactos negativos na imagem da carne brasileira no cenário internacional.

Soares também abordou a questão do sistema sanitário brasileiro, afirmando que as exigências da UE não questionam a qualidade da defesa agropecuária do país.

“O Brasil possui um sistema de defesa agropecuária extremamente robusto. Isso não pode, em hipótese alguma, denegrir a qualidade do nosso controle sanitário.”

Ele destacou que o Brasil conta com um dos maiores programas de vigilância sanitária do mundo, ressaltando a agilidade no controle de episódios recentes, como os casos de influenza aviária. O Brasil é responsável por cerca de 43% da carne de frango comercializada globalmente, o que demonstra a confiança internacional no sistema sanitário nacional.

Sobre as regras de transição, Soares explicou que uma das alternativas em discussão é estabelecer uma regra que facilite a adaptação às novas exigências europeias. Ele observou que a adaptação é mais simples na cadeia de frangos, cujo ciclo produtivo é de aproximadamente 40 dias, enquanto a pecuária bovina demanda entre 18 e 20 meses para ser concluída.

“Estamos discutindo justamente uma transição para que esse processo ocorra de forma organizada, sem comprometer a competitividade do setor.”

O secretário participou do Veja Fórum Agro nesta terça-feira (16) e destacou que as negociações estão ocorrendo em níveis técnico e diplomático, envolvendo o Ministério da Agricultura, o Itamaraty e a Presidência da República.

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