Operação desestrutura rede do Tren de Aragua em vários estados. Grupo usava criptomoedas para lavar dinheiro e fornecia armas pesadas ao Comando Vermelho no Rio.
A Polícia Civil de Roraima revelou que a facção venezuelana Tren de Aragua cresce no Brasil desde 2018. Uma investigação apontou um extenso esquema de lavagem de dinheiro e tráfico de armas de uma das maiores organizações criminosas da América Latina em diversos estados brasileiros.
Os principais pontos apurados foram uma operação ilegal financeira com criptomoedas e o fornecimento de armamento pesado ao Comando Vermelho, principalmente para o Rio de Janeiro. A investigação demonstrou um “relacionamento estabelecido” entre as facções.
Os integrantes da Tren de Aragua utilizavam Roraima como corredor estratégico para a movimentação de armamentos da Venezuela, da Colômbia e dos Estados Unidos, com destino às comunidades do Rio e do Amazonas. Um especialista ligado à investigação comentou:
“O Rio de Janeiro só é o que é hoje por conta dos fuzis. E o Tren de Aragua é um dos fornecedores.”
Outro fator que surpreendeu as autoridades é a lavagem de dinheiro com criptoativos. Um homem, apontado como principal operador financeiro da facção, foi preso, suspeito de movimentar mais de R$ 300 milhões em criptomoedas apenas no último ano.
Os investigadores da Polícia Civil e do Ministério da Justiça e Segurança Pública expressaram preocupação com o método utilizado pelos criminosos venezuelanos e ressaltaram a necessidade de melhorar o ecossistema regulatório do setor, além de um maior bloqueio de ativos.
Apesar do uso de empresas de fachada para ocultação dos recursos ilícitos, o esquema não é considerado tão sofisticado em comparação a dinâmicas de outras facções atuantes no país. Não há indícios de que a facção esteja inserida no mercado formal brasileiro ou envolvida com outras grandes facções criminosas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital).
As autoridades acreditam que, devido ao investimento em tecnologia e inteligência no Programa Brasil contra o Crime Organizado, novas operações nacionais contra grandes organizações criminosas devem ser vistas nos próximos meses.
A investigação da Draco (Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas) teve início no final de 2024 e relaciona-se a crimes locais como homicídios e tráfico de drogas. Desde 2018, com a crise migratória da Venezuela, a dinâmica criminal em Roraima mudou significativamente, refletindo em um aumento nos crimes de homicídio e tráfico de entorpecentes.
A Operação Rota do Norte, apresentada pela Polícia Civil de Roraima, representa uma das maiores ações integradas já coordenadas contra o crime organizado transnacional. Realizada em Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, a operação resultou na expedição de 25 mandados de prisão, sendo 18 contra venezuelanos e sete contra brasileiros, com 13 mandados já cumpridos até o momento.
