O mercado financeiro fechou em alta nesta terça-feira (16), pressionado pela deterioração do câmbio e por pesquisas desfavoráveis a Flávio Bolsonaro. Investidores ignoraram a queda do petróleo e dos Treasuries.
Os juros futuros fecharam em alta, refletindo um movimento de correção após dias de alívio nos prêmios de risco, impulsionado por fatores internos.
Nesta terça-feira, 16 de junho, o mercado observou uma queda significativa no preço do petróleo e nos rendimentos dos Treasuries, mas as taxas locais não seguiram essa tendência.
Pesquisas eleitorais desfavoráveis para o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) e a deterioração do câmbio trouxeram desconforto aos investidores.
No fechamento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 registrou taxa de 14,255%, estável em relação ao ajuste do dia anterior. Já o DI para janeiro de 2028 apresentou taxa de 14,420%, um aumento em relação aos 14,355% do ajuste anterior.
A taxa do DI para janeiro de 2029 subiu para 14,405%, ante os 14,329% anteriores, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 14,251% para 14,285%.
“A pesquisa CNT indicou o presidente Lula abrindo ainda mais vantagem em relação a Flávio Bolsonaro. A continuidade do governo Lula implica deterioração das contas públicas”, explicou Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital.
Além disso, o dólar teve alta, aproximando-se de R$ 5,10, o que pode agravar a situação inflacionária.
A pesquisa CNT/MDA se juntou a outros levantamentos que também mostraram um cenário desafiador para Flávio. A pesquisa Futura/Apex indicou Lula com 48,1% e Flávio com 42,9% em um eventual segundo turno. Outra pesquisa, da RealTime Big Data, apontou o senador com 47% e Lula com 44%, em situação de empate técnico.
“A pesquisa não mostra uma mudança grande em relação a outras que a gente vinha vendo. Está mais para continuidade daquele movimento que é, talvez, um cenário de eleição de Lula se fortalecendo versus um cenário de Flávio Bolsonaro”, afirmou Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren.
Vital observou que a questão fiscal tem sido um ponto de destaque nas últimas semanas, especialmente com a votação de pautas relevantes no Congresso. No entanto, o ambiente externo permanece desafiador. Com a possibilidade de redução da pressão inflacionária devido ao fim de guerra e a abertura do Estreito de Ormuz, isso pode facilitar decisões futuras do Banco Central.
O preço do petróleo caiu mais de 5%, com o tipo Brent fechando abaixo dos US$ 80 pela primeira vez desde março. Essa situação pode permitir ao Banco Central um mercado menos pressionado ao decidir sobre a taxa Selic na próxima reunião.
A expectativa de corte de 25 pontos-base na Selic nesta quarta-feira, 17 de junho, continua forte, com as opções digitais na B3 indicando 84% de probabilidade de corte, em comparação a 16% de chance de manutenção em 14,5%.
Os indicadores econômicos também trazem um panorama que, de certa forma, oferece conforto. As vendas no comércio recuaram 1,5% em abril, próximo ao piso das estimativas, enquanto o IGP-10 de junho caiu 0,30%, também próximo das expectativas.
