Atualização prevista para 2026 vai quebrar extensões populares como o uBlock Origin. Usuários já buscam alternativas ao Chrome diante do fim do suporte ao Manifest V2.
A decisão do Google de encerrar o suporte ao Manifest V2 no Chrome está gerando uma onda de usuários em busca de alternativas. Essa mudança começará com a versão 150 do navegador, prevista para ser lançada no dia 30 de junho de 2026, e afetará extensões populares, como o uBlock Origin, que perderão funcionalidades ou deixarão de funcionar completamente no Chrome.
Cerca de um mês após essa atualização, a versão 151 do Chrome irá remover todos os componentes restantes do Manifest V2, eliminando qualquer possibilidade de restaurar o sistema antigo por meio de configurações ocultas ou políticas corporativas. Essa informação foi confirmada por Devlin Cronin, engenheiro do Google, em uma atualização no projeto Chromium.
Com a nova versão, o Manifest V3 se tornará obrigatório para as extensões no Chrome. Esse novo modelo impõe limitações que podem comprometer a eficácia de ferramentas como os bloqueadores de anúncios, reduzindo as funcionalidades do uBlock Origin. Raymond Hill, criador da extensão, destaca que a versão Lite não consegue oferecer a mesma experiência que a versão original.
Essa mudança tem levado muitos usuários a considerar navegadores alternativos. O Firefox, por exemplo, ainda mantém a compatibilidade com bloqueadores, como o uBlock Origin. Já o Brave, que também é baseado no Chromium, conta com um bloqueador de anúncios embutido, evitando a dependência do sistema de extensões do Google.
Segundo o Google, a mudança do Manifest V2 para o Manifest V3 tem como objetivo melhorar a segurança, a privacidade e o desempenho do Chrome.
O Google justifica que o modelo antigo permitia que as extensões tivessem acesso amplo ao tráfego de navegação, possibilitando monitorar e alterar dados em tempo real. Um exemplo disso é a extensão Save Image As Type, que foi sequestrada por criminosos, alterando links de afiliados para desviar comissões. Com o novo padrão, as extensões terão regras pré-definidas, diminuindo o risco de ações maliciosas, como roubo de dados ou redirecionamento para sites fraudulentos.
Entretanto, essa mudança não está isenta de críticas. Desenvolvedores de bloqueadores de conteúdo, como Raymond Hill, afirmam que o novo modelo diminui a eficácia das ferramentas de proteção contra anúncios e rastreadores. A Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) também recomenda o uso de bloqueadores de anúncios para ajudar a prevenir a distribuição de malwares por meio de anúncios online. Com a migração para o Manifest V3, esses bloqueadores podem perder parte de sua eficácia, especialmente no Chrome, que é utilizado por cerca de 65% dos internautas que acessam a web pelo computador.
Além disso, o momento da decisão levanta questões sobre os interesses comerciais do Google. Em 2025, a empresa gerou cerca de US$ 239,5 bilhões em receitas publicitárias e continua altamente dependente desse segmento. Isso leva parte da comunidade a questionar se a mudança pode estar favorecendo a exibição de anúncios, embora a empresa negue qualquer relação. O aumento do uso de respostas geradas por IA nas buscas do Google, que tem reduzido o tráfego para sites que dependem de cliques para monetização, também é um ponto de preocupação. Para os críticos, enfraquecer os bloqueadores de conteúdo pode aumentar a exposição dos usuários a anúncios e aumentar a influência do Google sobre a experiência de navegação.

