Las Vegas (EUA) – Um painel realizado no NAB Show 2026, neste domingo (19), detalhou como a inteligência artificial vem transformando processos de criação, edição e aproveitamento de conteúdos de áudio em música, cinema e produções faladas. O encontro, conduzido pela engenheira de áudio Sherry Hedrickson (Twitch, Discord e Autotune), reuniu Jessica Powell, cofundadora da AudioShake, e Shari, responsável pela vertical de áudio e música na NVIDIA.
Ferramentas e aplicações apresentadas
As participantes mostraram casos práticos de IA em:
- separação de stems para facilitar edição, licenciamento e mixagens imersivas;
- isolamento de diálogos e redução de ruído, inclusive em tempo real;
- análise de grandes catálogos musicais com identificação de características específicas;
- remasterização e localização de conteúdos antigos para novas distribuições.
Powell detalhou a atuação da AudioShake em separar mixagens em fluxos independentes, serviço já utilizado por ligas esportivas, estúdios de cinema e empresas de tecnologia. Entre os destaques, ela citou o DialogRT, modelo criado em parceria com a NVIDIA na plataforma TGX Spark, capaz de isolar voz, diálogo e som ambiente com baixa latência.
Pela NVIDIA, Shari apresentou o Music Flamingo, recurso que permite vasculhar milhões de faixas para localizar estilos, climas ou perfis sonoros, útil para curadoria, supervisão musical e A&R. Ela ainda mencionou aplicações de IA generativa na criação de samples, demos e vozes sintéticas para setores como medicina e cinema.
Ruído, voz e reaproveitamento de acervos
Hedrickson ressaltou o VocalPrep, solução da Autotune destinada a limpar gravações vocais feitas fora de estúdios profissionais. Segundo a moderadora, recursos como esse ampliam o uso pontual da IA em rotinas que antes exigiam mais tempo e custo.
As debatedoras enfatizaram o potencial de monetização de obras antigas. Ao separar trilhas comerciais de sons naturais, donos de catálogos podem renovar licenças e distribuir versões remasterizadas em plataformas digitais e serviços de streaming.
Impacto profissional e perspectivas
Mesmo com resistência de parte de artistas e detentores de direitos, o painel indicou crescimento da percepção da IA como aliada criativa. Para Powell, modelos de machine learning já estavam presentes em etapas como masterização, e a discussão atual se volta à IA generativa. Hedrickson comparou o momento ao surgimento do próprio Autotune, lembrando que a tecnologia pode ser usada tanto como efeito audível quanto de forma transparente.
O grupo prevê que, nos próximos anos, os modelos se tornem mais leves e executados diretamente em dispositivos, garantindo privacidade em projetos sensíveis. A avaliação é de que tarefas operacionais tendem a ser automatizadas, mas a decisão estética continuará a cargo de mixers, engenheiros e produtores.
O NAB Show 2026 acontece no Las Vegas Convention Center até 22 de abril, com cobertura especial do tudoradio.com e apoio de ABERT, BeAudio, AMIRT e MidiacomPB.
Fonte: tudoradio.com
