O sertanejo mantém a liderança nas paradas brasileiras há cerca de dez anos, mas a aposta em produções padronizadas tem levantado questionamentos dentro do próprio meio. Dos 50 títulos mais executados no país em 2025, 40% pertencem ao gênero, cenário que, segundo artistas e profissionais do setor, favorece a sensação de que “tudo soa igual”.
Bruno, da dupla Bruno & Marrone, criticou publicamente a tendência ao afirmar que a geração atual “canta tudo igual, com composições repetitivas e sonoridades parecidas”. Com mais de 35 anos de carreira, o cantor aponta que a estratégia garante visibilidade rápida, mas acaba anulando identidade artística.
Influenciador digital e administrador da página Versinho Oficial, Italo Ribeiro reforça a análise: “Para quem não acompanha de perto o sertanejo, é difícil distinguir as vozes. São muitas interpretações semelhantes e músicas parecidas”. Ele ressalta que a confusão atrapalha a fixação da imagem do intérprete junto ao público casual.
Estratégia da cópia
Comparações como “voz parecida com a de Marília Mendonça” ou “os novos Jorge & Mateus” passaram a ser usadas como argumento de venda para novos nomes. A dupla João Neto & Frederico confirma que, quando uma fórmula funciona, ela rapidamente é reproduzida por outros artistas.
A chegada simultânea de diversos cantores ao mercado amplia ainda mais a homogeneidade sonora, observa Ribeiro. “O público não associa a música ao artista e isso se torna prejudicial”, explica.
Mercado pressionado
Dudu Borges, produtor por trás de sucessos de Michel Teló, Bruno & Marrone e Luan Santana, revelou no podcast Corredor 5 que se afastou temporariamente da cena por causa do excesso de pedidos para reproduzir hits. “A cada sucesso, aparecem dez querendo fazer igual. A linha de composição é a mesma”, relatou.
Influência dos medalhões
No cenário atual, artistas consolidados passaram a gerir a própria carreira e a empresariar novatos. Embora essa proximidade facilite o acesso a gravadoras, contratantes e compositores, Italo Ribeiro alerta para o risco de uniformização: “Quando o ídolo impõe repertório ou modo de cantar, o resultado costuma ser repetitivo”.
Enquanto o gênero segue no topo das plataformas, a pressão por originalidade cresce entre críticos, produtores e parte do público, que pede renovação sem abrir mão do sucesso comercial.
Com informações de Metrópoles