Itabaiana · quinta-feira · 17 de setembro de 2026
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A União Brasileira de Compositores (UBC) divulgou o relatório “Por Elas Que Fazem a Música 2026”, que aponta a permanência da desigualdade de gênero na indústria musical. Segundo o levantamento, as profissionais femininas ficaram com apenas 10% do montante de direitos autorais distribuídos no país.

Participação feminina entre os que mais faturam

Em 2025, entre os 100 artistas que mais receberam repasses da UBC, somente 11 eram mulheres. A melhor colocada subiu da 21ª para a 16ª posição, mas continua representando uma fatia pequena do total.

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Como o dinheiro é repartido

Entre o total arrecadado por mulheres na UBC, a maior parte vem da autoria de obras, que responde por 73%. Intérpretes ficam com 23%; musicistas executantes, 2%; e versionistas e produtoras fonográficas, 1% cada.

Crescimento de associadas ainda não se reflete na renda

Desde 2017, o número de mulheres registradas na UBC aumentou 229%. Mesmo assim, elas representam apenas 17% da base total de autores, versionistas, intérpretes, instrumentistas e produtoras ligados à entidade.

Concentração regional

O estudo mostra que 88% das mulheres associadas estão no Sudeste, Nordeste e Sul. A distribuição é a seguinte:

  • Sudeste: 60%
  • Nordeste: 17%
  • Sul: 11%
  • Centro-Oeste: 8%
  • Norte: 3%

Assédio e violência no mercado musical

Em um questionário digital aplicado a mais de 280 profissionais do setor, 65% relataram já ter sofrido assédio no trabalho. Entre esses casos, 74% foram de natureza sexual, 63% verbal e 56% moral.

Também foram registradas situações de violência contra 35% das entrevistadas. A violência psicológica apareceu em 72% desses relatos, seguida de toque físico sem consentimento (58%) e violência verbal (38%). Em 96% das ocorrências, os agressores eram homens.

As consequências incluem impacto emocional para 75% das vítimas e afastamento de ambientes de trabalho para metade delas. Mesmo assim, 49% não procuraram ajuda nem compartilharam o episódio.

Formas de discriminação

As participantes apontaram ainda:

  • 63% disseram ter sido ignoradas ou interrompidas;
  • 59% tiveram a competência questionada;
  • 57% sentiram pressão adicional para provar valor profissional;
  • 52% relataram omissão ou minimização de créditos.

Maternidade e carreira

Entre as mulheres que são mães, 60% afirmaram que a maternidade prejudicou oportunidades de convites, viagens e turnês, além de gerar comentários sobre a dedicação ao trabalho.

Estrutura interna da UBC

Apesar do cenário externo, a UBC informa que 100% de suas filiais são gerenciadas por mulheres. O quadro geral é composto por 59% de funcionárias, e 57% dos cargos de liderança estão com profissionais femininas. Em 2023, Paula Lima tornou-se a primeira Diretora-Presidenta da entidade.

As diretoras Fernanda Takai e Mila Ventura reforçaram, no relatório, o compromisso da organização com a ampliação da representatividade feminina na música.

O levantamento evidencia que, embora o número de mulheres na indústria esteja crescendo, a distribuição de renda, o assédio e a discriminação ainda são desafios significativos.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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