Cristiano Ronaldo anunciou sua saída da seleção de Portugal, e surge a dúvida sobre quem herdará a camisa 7. A Fifa exige numeração sequencial até 26 atletas em torneios oficiais, impedindo a aposentadoria do número.
Cristiano Ronaldo anuncia saída da seleção de Portugal, e a principal dúvida que fica é: quem herdará a camisa 7 que ele vestiu por quase duas décadas? Para quem imaginava que o número poderia ser imortalizado em homenagem ao ídolo, a homenagem não será possível em competições oficiais, por causa de uma regra da Fifa.
A norma da Fifa exige que jogadores tenham numeração sequencial até o limite de inscritos em cada competição — atualmente 26 atletas — e, por isso, seleções não podem retirar números específicos nas competições organizadas pela entidade. Essa mesma regra já impediu tentativas anteriores de aposentar camisas históricas em seleções.
Nas janelas de amistosos, contudo, as seleções têm liberdade para escolher numeração diferente. Na última Data Fifa, quando a crise entre Cristiano Ronaldo e o treinador ficou mais visível, o técnico entregou a camisa 7 a Rafael Leão depois de Cristiano Ronaldo abandonar a seleção; naquele momento, porém, tratou-se de um empréstimo do número mais associado ao time nacional.
“Não mudaria nada”
Agora, o treinador terá de escolher um novo dono — definitivo ou temporário — para a camisa 7. A dúvida sobre quem usará o número será tratada na próxima Data Fifa: a seleção portuguesa jogará contra Dinamarca, no dia 14 de novembro, e contra País de Gales, no dia 17 de novembro, pela Liga das Nações da Uefa.
Próximas partidas
- 14 de novembro: Portugal x Dinamarca — Liga das Nações
- 17 de novembro: Portugal x País de Gales — Liga das Nações
Além do aspecto esportivo, a saída de Cristiano Ronaldo levanta questões comerciais. Os contratos de patrocínio da federação portuguesa estão vigentes até 2030, ano em que Portugal dividirá a organização da Copa do Mundo com Espanha e Marrocos. Os valores em vigor chegam a 56,8 milhões de euros por ano, dos quais mais de um terço — cerca de 20 milhões de euros — provêm do contrato com a fornecedora de material esportivo.
Em entrevistas a jornais portugueses, o diretor executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), Daniel Sá, previu dificuldades para a Federação manter o mesmo nível de receitas sem o seu grande ídolo. Segundo ele, há riscos comerciais relacionados à imagem que Ronaldo representava para as vendas e patrocínios.
“Quando Ronaldo sair, Portugal vai cair numa escada rolante a grande velocidade”
Daniel Sá também apontou possibilidades para mitigar o impacto: edições especiais de produtos e acordos que permitam continuar a usar a imagem do jogador, desde que haja acordo entre as partes envolvidas. Essas alternativas podem reduzir a perda de receita e prolongar a exploração comercial associada à trajetória do atacante.
Enquanto isso, no campo esportivo, a seleção e a comissão técnica seguirão definindo a numeração e a formação para a Liga das Nações, respeitando as regras da Fifa para competições oficiais.
