Associados ratificaram nesta sexta a transferência de 90% da SAF para a Almirante Participações, de Marcos Lamacchia. O clube social manterá 10% das ações. Conselho Deliberativo e Beneméritos já haviam aprovado.
Os sócios do Vasco aprovaram, nesta sexta-feira, a venda da SAF para a Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Lamacchia. Com o resultado da votação, 90% das ações da empresa que administra o futebol do clube serão transferidas para a companhia controlada pelo investidor. O clube social ficará com 10% das ações.
Na operação anterior, em 2022, a 777 Partners havia ficado com 70% das ações, deixando 30% nas mãos do associativo. A votação entre os sócios foi a última etapa interna do clube para a entrada de Marcos Lamacchia. Antes dessa votação, o Conselho Deliberativo e os Beneméritos já tinham dado parecer positivo para a venda.
Isso, porém, não significa que o investidor assumirá imediatamente. Ainda resta o parecer da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), que avalia um possível conflito de interesses com o Palmeiras, já que Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira. Dentro do Vasco, a expectativa é que essa etapa seja superada em pouco tempo.
Enquanto a análise da agência não tem prazo estabelecido, o clube vai iniciar as etapas burocráticas previstas no acordo, como a transferência dos nomes dos ativos — jogadores, funcionários e demais elementos do dia a dia — de uma SAF para a outra.
“Acabou o problema das dívidas do Vasco”
Ao comentar o processo, um sócio da Almirante afirmou que os processos regulatórios estão em andamento e se mostrou confiante quanto à separação de interesses com outros clubes.
“São processos que estão em andamento. O Cade foi agora recentemente, tem também a Anresf, mas eu estou muito tranquilo. O Almirante é do Marcos Lamacchia e minha, e nós estamos separados de qualquer outro clube. Estamos tranquilos que somos Vasco da Gama e já falei que vou provar isso quando jogarmos contra o Palmeiras e vamos ganhar.”
No início deste mês, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) enviou um ofício ao Vasco, por meio do Ministério Público de São Paulo, solicitando informações financeiras entre o clube e a Almirante Participações. O Vasco precisa prestar esclarecimentos ao Cade até segunda-feira, dia 26 de outubro, informando operações, data de formalização da operação e o motivo de eventual não notificação prévia ao órgão. A recusa, omissão ou retardamento injustificado das informações pode gerar multa diária que varia de R$ 5 mil até R$ 100 mil, conforme previsto.
Investimentos no futebol
- R$ 500 milhões — valor mínimo a ser aportado ao longo de cinco anos, em parcelas anuais de R$ 100 milhões corrigidas pelo INPC, destinadas exclusivamente ao departamento de futebol (contratações, atletas e comissão técnica).
- R$ 120 milhões — investimento mínimo previsto para o centro de treinamento profissional, a ser feito em até dez anos.
- R$ 30 milhões — previsto para infraestrutura das categorias de base, em dois anos.
- R$ 1,5 bilhão — cobertura projetada de déficit de fluxo de caixa nos primeiros cinco anos por parte da Almirante.
Dívidas e garantias
- A Almirante ficará responsável por gerar receitas para o pagamento das dívidas da SAF e da associação, conforme o acordo, e por antecipar dois anos de pagamentos previstos no plano de recuperação judicial.
- Garantia de R$ 324 milhões — por meio de fiança bancária ou seguro-garantia para o passivo da recuperação judicial abrangido pela operação.
- Depósito judicial de R$ 27 milhões — valor já depositado para antecipação de créditos concursais do período de supervisão judicial, com destinação condicionada ao fechamento.
- Fiança pessoal de Marcos Lamacchia — garantia de responsabilidade solidária pelas obrigações pecuniárias da investidora e da nova SAF.
- Conta-reserva — saldo mínimo equivalente a três meses das obrigações previstas, com previsão de recomposição.
- Acordo prevê aportes adicionais se recursos forem insuficientes, sem diluir a fatia de 10% preservada pelo clube.
- Previsão de penalidades por descumprimento: penalidade de 60% em certas hipóteses e multa de R$ 50 milhões em caso de descumprimento de obrigações relacionadas à formalização definitiva da operação.
São Januário e estrutura da SAF
- São Januário seguirá como casa prioritária e exclusiva do futebol profissional do Vasco até 31 de dezembro de 2030, com pagamento anual de R$ 3 milhões. O valor será reduzido para R$ 2 milhões caso obras impeçam a utilização do local.
- O estádio não está sendo negociado na venda e permanece com o clube social.
- A proposta garante prioridade aos sócios proprietários na primeira onda de disponibilização de ingressos, conforme condições do acordo.
- Está prevista a transferência para a nova SAF dos ativos ligados ao futebol, incluindo jogadores e funcionários.
Com a aprovação dos sócios, agora o foco está nas análises regulatórias e nas providências contratuais e administrativas necessárias para efetivar a operação, além do cumprimento dos prazos e das exigências feitas pelo Cade e pela Anresf.
