Itabaiana · quarta-feira · 21 de outubro de 2026
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O Brasil se tornou o segundo país do mundo —após os Estados Unidos— a aprovar um novo tratamento para câncer de pulmão avançado. O aval foi dado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e publicado ontem no Diário Oficial da União.

O medicamento aprovado é o telisotuzumabe vedotina, uma terapia-alvo indicada para adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) não escamoso, localmente avançado ou metastático, com alta superexpressão da proteína c-Met, que já receberam tratamento prévio. O produto foi desenvolvido pela biofarmacêutica AbbVie.

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A aprovação representa um avanço nas alternativas terapêuticas para casos avançados, que correspondem a cerca de 75% dos diagnósticos da doença e têm opções de tratamento mais limitadas. Segundo dados citados na avaliação, o CPNPC não escamoso responde por cerca de 80% a 85% dos casos de câncer de pulmão e engloba subtipos como o adenocarcinoma e carcinomas de grandes células.

Em pacientes com CPNPC não escamoso avançado que apresentam EGFR selvagem —ou seja, sem as mutações ativadoras do receptor—, a superexpressão de c-Met está presente em aproximadamente 25% dos casos e costuma se associar a pior prognóstico. O telisotuzumabe vedotina é um anticorpo droga conjugado (ADC): o anticorpo reconhece a proteína c-Met na superfície de células tumorais e leva até elas uma substância citotóxica capaz de eliminá-las.

Resultados da última etapa de testes clínicos mostraram que, entre pacientes com alta expressão de c-Met, a taxa de resposta objetiva foi de 34,6%. A duração mediana da resposta foi de 9 meses e a sobrevida global mediana atingiu 14,6 meses. Nos Estados Unidos, a terapia recebeu aprovação acelerada da Food and Drug Administration (FDA).

Esta aprovação representa um avanço importante para pacientes com CPNPC localmente avançado ou metastático, pois oferece uma nova opção de tratamento para pessoas com um perfil específico de biomarcadores que já receberam terapia sistêmica. As terapias-alvo são uma parte importante da oncologia de precisão, pois são desenvolvidas para atuar sobre características moleculares definidas das células tumorais.

— afirmou Fernando Mos, diretor médico da AbbVie Brasil, em comunicado.

O câncer de pulmão é o segundo tumor mais comum no país. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou 35.380 novos casos por ano no Brasil para o triênio de 2026 a 2028. Em 2024, foram registradas mais de 32 mil mortes por câncer de traqueia, brônquios e pulmão no país. No cenário global, a doença manteve-se como a principal causa de morte por câncer em 2024, com quase 2,65 milhões de novos casos e mais de 1,8 milhão de mortes estimadas naquele ano.

A alta mortalidade está ligada ao fato de que muitos diagnósticos ocorrem em estágios avançados. O tabagismo é responsável por cerca de 90% dos casos, mas cresceu a atenção para tumores em não fumantes. Outros fatores que aumentam o risco incluem fumo passivo, poluição, exposição a agentes como radônio, pó de vidro e amianto, histórico familiar, infecções pulmonares crônicas e doenças respiratórias como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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