Itabaiana · terça-feira · 20 de outubro de 2026
📻 Ao vivo agora: Linha 93  📲 Participar
⏱ 5 min de leitura

Em 2026 o MUHSE comemora 30 anos do nome e da sede própria enquanto passa por reestruturação interna e obras de modernização. Criado em 1978 como Museu de Antropologia, só ganhou sede na Praça Camerino em 1996.

Em 2026, o Museu do Homem Sergipano (MUHSE) celebra 30 anos de nome e de casa própria enquanto passa por uma reestruturação interna e obras de modernização. Criado em 1978 no âmbito da Universidade Federal de Sergipe (UFS) como Museu de Antropologia, o espaço adotou o nome atual em 1996 e ganhou sua primeira sede na Praça Camerino, em Aracaju.

Publicidade

Durante quase duas décadas o museu funcionou sem endereço fixo nem quadro próprio de colaboradores. Segundo a atual chefia, a continuidade da instituição se deveu a um grupo de professores que conciliava o projeto com atividades de ensino, pesquisa e extensão. Naquela fase, iniciativas como a Sala de Cultura Popular, o Núcleo Museológico e exposições itinerantes sobre povos indígenas, religiões afro-brasileiras, cultura popular e artesanato mantinham o museu ativo, mesmo sem um prédio definido.

Em 2013, problemas estruturais na sede ocupada desde 2004 na Rua Estância levaram ao fechamento do prédio. Os acervos foram retirados e hoje estão armazenados na Sala 5 da Didática 7 do Campus de São Cristóvão. A obra de modernização e ampliação do casarão começou em 2022 e enfrentou dificuldades e interrupções, o que motivou a gestão a priorizar, além das obras físicas, a reorganização administrativa e museológica.

As primeiras tarefas da reestruturação incluem localizar e reconhecer os conjuntos do acervo, retomar o inventário, a documentação e a conservação preventiva. O processo conta com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), à qual o museu é vinculado, e de diversos setores da UFS.

O acervo do MUHSE reúne coleções arqueológicas, etnográficas, numismáticas, fotográficas, documentais e bibliográficas. Boa parte das peças resultou de pesquisas e trabalhos de campo de professores da universidade. Os materiais das antigas exposições também foram preservados e permitem estudar como a instituição pensava museologia e educação patrimonial nas últimas décadas.

Chefiado pelo Prof. Dr. Rômulo Gonzales, o museu está em processo de reestruturação administrativa e museológica, além das intervenções no prédio. Segundo a chefia, o objetivo é reabrir o museu mais moderno, plural e acessível.

“Esse trabalho tem sido muito proveitoso. É difícil, evidentemente, e tem suas dificuldades, mas há a alegria diária de ver as conquistas acontecendo e o trabalho sendo desenvolvido, principalmente com a retomada das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Os nossos alunos, que felizmente estão chegando, nos dão uma alegria imensa, porque é ver continuar o ciclo que este museu cumpre pela universidade há quase 50 anos: produzir conhecimento. Neste momento, o museu está fechado ao público para exposições, mas não está parado. Todas as conquistas que foram feitas até esse momento não são uma vitória individual, e sim coletiva”, destaca Rômulo Gonzales.

Para a Pró-Reitora de Extensão e Cultura da UFS, Profª Joselita Lisboa, o acervo é um espaço vital de memória que preserva a história do homem sergipano e alimenta o ensino e a extensão universitária.

“O equipamento é indispensável para a formação de estudantes de Museologia, História, Geografia e demais áreas das Ciências Sociais, servindo como um polo de memória e prática para estágios, pesquisas e ações de extensão. As peças do museu estavam guardadas devido ao processo de construção da nova sede na Rua Estância. Diante disso, a PROEX entendeu a urgência de reabrir o espaço na Didática 7, que já se encontra em funcionamento sob a direção do professor Rômulo González, do Departamento de Museologia”, reforça Joselita Lisboa.

A equipe técnica do MUHSE envolve bibliotecária, arquivista e auxiliares, além de estudantes em estágios curriculares obrigatórios dos cursos de Museologia e Biblioteconomia. Entre os nomes citados na equipe estão a bibliotecária Camila Rodrigues, a auxiliar em administração Cecília Evangelista dos Santos e a arquivista Iberle Andrade Coimbra.

“O espaço reúne acervos bibliográficos e documentais, abrangendo também mídias e cerca de 11.000 a 12.000 itens fotográficos. No acervo bibliográfico, destacam-se duas coleções super especiais: a da professora Beatriz Góis Dantas e a do professor Felte Bezerra, dois grandes nomes sergipanos que são referências em suas áreas. No momento atual, é realizado um importante processo de preservação dos livros, que inclui etapas de higienização e acondicionamento para garantir a melhor conservação do acervo para o futuro”, explica Camila Rodrigues.

A arquivista Iberle Andrade Coimbra, que desenvolve sua dissertação de mestrado a partir da documentação ligada à memória da UFS, detalha o trabalho com o acervo textual do museu.

“O acervo textual do museu é composto por 73 caixas que guardam a memória e a história do local desde a sua criação. O material inclui fichas de pesquisa do Departamento de Antropologia, ofícios expedidos e recebidos, projetos desenvolvidos e tipologias documentais diversas. Para evitar a perda de informações e facilitar o acesso de estudantes, comunidade externa, professores e pesquisadores, está sendo desenvolvido um instrumento de pesquisa com índice remissivo que fará a localização exata de cada documento em cada caixa, salvaguardando assim a memória da cultura sergipana”, detalha Iberle Andrade Coimbra.

Enquanto as obras seguem e o prédio histórico é preparado para reabrir, a reestruturação administrativa, a conservação do acervo e o retorno das atividades acadêmicas e de extensão prometem consolidar um MUHSE renovado e mais próximo da comunidade e dos cursos das ciências humanas.

Redação
ESCRITO POR
Redação

Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

11002 artigos publicados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🔔

Quer receber as notícias em primeira mão?

Notificações das principais notícias de Sergipe direto no seu navegador — sem spam.