Itabaiana · quinta-feira · 15 de outubro de 2026
📻 Ao vivo agora: Show da Tarde  📲 Participar
⏱ 4 min de leitura

O caso do pedreiro Edimar Rocha Martins expõe golpes com conteúdos sintéticos e alerta para verificar contexto antes de agir. Especialistas dizem que sinais sutis na conversa e contexto denunciam vídeos gerados por IA.

O caso do pedreiro Edimar Rocha Martins, que viajou mais de 2 mil quilômetros entre o Maranhão e Minas Gerais em busca de um romance com uma mulher criada por inteligência artificial, acendeu um alerta sobre golpes com essa tecnologia. O episódio reforça a necessidade de desconfiar de mensagens e verificar contexto antes de tomar qualquer atitude.

Publicidade

Especialistas apontam que, além da aparência, é o contexto da mensagem que costuma denunciar conteúdos sintéticos. O cientista de dados Arnobio Morelix, da Faculdade Sirius, chama atenção para essa questão:

“O erro que a gente vê hoje é procurar defeitos na imagem, mas o deepfake de hoje é muito bom na imagem; o que ele é ruim é no contexto. Não só a aparência, mas o contexto. Quando a gente recebe um vídeo num contexto político, pedindo uma senha, uma decisão urgente, vale a pena pensar o motivo de receber essa mensagem, e desconfiar da urgência pode ajudar muito”

Dicas para identificar deepfakes

  • Boca:

    Observe a sincronia entre os lábios e a voz. Em deepfakes a boca pode ficar entreaberta ou fechar com atraso; os dentes às vezes parecem ora espaçados, ora um bloco só.

  • Fala:

    Preste atenção nas pausas e na entonação. Vozes sintéticas costumam ter pausas de respiração em momentos inadequados e entonação mais plana que a fala humana.

  • Iluminação:

    Na maioria dos casos, o rosto criado por IA tem iluminação mais uniforme e ‘perfeita’ em contraste com o restante da cena.

Morelix ressalta que esses sinais estão se tornando mais sutis à medida que a tecnologia avança, o que exige cautela contínua.

Na investigação e identificação de conteúdos, existem ferramentas forenses que ajudam a detectar sinais de geração artificial. Marcio Fabozi, especialista em IA, destaca limites e utilidade desses programas:

“É importante entender que nenhuma dessas ferramentas é infalível. Um detector como esses pode apontar indícios de manipulação, mas a confirmação depende de outras verificações, como a fonte, o contexto e a autenticidade da informação. A inteligência artificial está evoluindo rapidamente, e os mecanismos de proteção precisam acompanhar esse avanço”

“O vídeo falso funciona como uma isca, e o risco aumenta quando a pessoa acredita naquela mensagem e acaba fornecendo informações, acessando páginas fraudulentas ou instalando programas maliciosos. Por isso, sempre reforço que a tecnologia precisa caminhar junto com a conscientização. Antes de clicar, de compartilhar qualquer informação ou de realizar uma transação, é fundamental verificar a origem daquela solicitação”

Há tecnologias como SynthID, Hive AI e Reality Defender que procuram rastrear materiais gerados por IA, além da marca d’água C2PA, usada por algumas plataformas como Gemini e Claude. Essas soluções ajudam, mas não garantem detecção total.

Do ponto de vista jurídico, o uso de deepfakes pode configurar crime dependendo do fim. O advogado Rodrigo Baraldi explica que a ilegalidade ocorre quando o conteúdo serve como instrumento de estelionato, crimes contra a honra ou violência psicológica:

“Se o deepfake for utilizado em um golpe que configure fraude eletrônica, a pena prevista é de quatro a oito anos de reclusão e multa, podendo haver aumentos conforme o caso. A pena acompanha o crime praticado, não o nome da tecnologia utilizada”

“A vítima pode exigir o ressarcimento dos prejuízos financeiros e indenização por danos morais, conforme os danos e a responsabilidade demonstrados. Também pode pedir a retirada do conteúdo e medidas urgentes para interromper sua divulgação. A reparação civil não depende, como regra, de uma condenação criminal”

No caso relatado, o pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, saiu de Imperatriz (MA) na última sexta-feira (9) e chegou a Belo Horizonte no domingo (11) na expectativa de encontrar a mulher que aparecia nos vídeos. Depois da repercussão, a Prefeitura de Belo Horizonte publicou um alerta nas redes sociais sobre os riscos de conteúdos criados ou manipulados por inteligência artificial.

Redação
ESCRITO POR
Redação

Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

10828 artigos publicados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🔔

Quer receber as notícias em primeira mão?

Notificações das principais notícias de Sergipe direto no seu navegador — sem spam.