Itabaiana · segunda-feira · 12 de outubro de 2026
📻 Ao vivo agora: Realidade  📲 Participar
⏱ 3 min de leitura

Antes de inserir uma referência cultural, a Rockstar perguntava se ela faria sentido no futuro. Rupert Humphries afirma que o longo ciclo de quase uma década guiou as escolhas de sátira e conteúdo.

Antes de incluir uma referência cultural em Grand Theft Auto VI, a Rockstar Games fazia uma pergunta simples: ela ainda faria sentido no futuro? A resposta determinava o que entrava no jogo e o que ficava de fora. Rupert Humphries, vice‑presidente sênior de narrativa do estúdio, explicou a lógica por trás das escolhas criativas de um projeto que levou cerca de uma década para ser desenvolvido.

Publicidade

O longo ciclo de desenvolvimento está no centro desse raciocínio. Séries como South Park conseguem abordar uma tendência cultural poucas semanas depois de ela surgir — e deixá‑la de lado quando perde força. Já a Rockstar trabalhava em ciclos de cinco, seis ou até dez anos. Um modismo da internet incorporado ao jogo em 2020, por exemplo, poderia estar ultrapassado quando o título chegasse ao público em 2026. Por isso, a equipe preferiu apostar em fenômenos mais duradouros: teorias da conspiração, reações coletivas a acontecimentos banais e o absurdo estrutural da vida contemporânea nos Estados Unidos.

“Na maioria dos casos, em vez de tentar reproduzir algo real do mundo, criamos nossas próprias versões distorcidas e exageradas”

Humphries afirmou que o resultado é um mundo intencionalmente exagerado e grotesco, bem mais absurdo que a realidade. A narrativa do jogo inclui elementos como propagandas eleitorais, chamadas automáticas de campanha e programas de rádio políticos, mas sem retratar figuras reais identificáveis. Esse cuidado evita vincular o conteúdo a pessoas concretas e mantém a sátira em um registro ficcional.

O cenário principal é uma Flórida fictícia chamada Leonida, descrita como um lugar onde fortunas absurdas e ambições sem limites colidem com a realidade de quem tenta apenas sobreviver — uma “panela de pressão para todo tipo de insanidade”, segundo o roteiro de desenvolvimento.

O pano de fundo ajuda a compreender a construção dos protagonistas Jason Duval e Lucia Caminos. As roteiristas Elizabeth Gauvey‑Kern e Alexa D’Agostino descrevem Lucia como alguém movida pelo desejo de construir uma vida melhor: determinada e disposta a enfrentar o que vier. Jason, pelo contrário, tende a ser mais reativo: suas circunstâncias muitas vezes decidem por ele. A equipe buscou dar a ambos imperfeições reais e espaço para aprender um com o outro, sem apresentar nenhum dos dois como consistentemente certo ou heroico. A comparação com Bonnie e Clyde serve como referência do tom da relação, mas não como modelo moral.

“Talvez o Sonho Americano seja mais modesto agora”

Humphries relacionou essa visão à evolução do conceito do Sonho Americano ao longo da franquia: em GTA IV (2008), Niko Bellic questionava a promessa de mobilidade social; em GTA V (2013), protagonistas que já faziam parte do sistema encontravam vazio e corrupção; e em GTA VI a ambição aparece mais modesta, com objetivos como garantir uma casa e quitar financiamentos, metas que podem estar fora do alcance da pessoa comum.

Grand Theft Auto VI será lançado em 19 de novembro de 2026 para PlayStation 5 e Xbox Series X/S. A versão para computadores ainda não tem data confirmada.

Redação
ESCRITO POR
Redação

Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

10696 artigos publicados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🔔

Quer receber as notícias em primeira mão?

Notificações das principais notícias de Sergipe direto no seu navegador — sem spam.