Itabaiana · quarta-feira · 07 de outubro de 2026
⏱ 5 min de leitura

A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro será vista como um termômetro para Washington, que tenta ampliar influência na região. Uma vitória de Bolsonaro confirmaria a guinada à direita em vários países latino-americanos.

Em um momento em que os Estados Unidos vêm buscando ampliar sua influência sobre a América Latina, a eleição presidencial brasileira é vista por muitos analistas como um teste crucial para a estratégia do governo de Donald Trump na região. A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição e um quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorre em meio a uma guinada à direita em vários países latino-americanos.

Publicidade

Analistas destacam que uma vitória de Bolsonaro representaria a consolidação desse movimento e da influência regional de Trump, com o triunfo da direita e de um aliado político do republicano no maior país da região. Sobre esse cenário, diz o analista político Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quarterly:

Seria a peça fundamental da chamada ‘onda laranja’ (em referência ao presidente americano) de líderes alinhados a Trump que vêm ganhando força e se espalhando pela América Latina

O mesmo analista acrescenta que o Brasil tem um valor simbólico e prático para a administração americana:

O Brasil é o maior prêmio. É pessoalmente importante para Trump. Ele tem uma relação com a família Bolsonaro que remonta a muitos anos

Winter também avalia o possível impacto de uma reeleição de Lula:

Acho que a Casa Branca provavelmente reagiria com decepção caso Lula vença. E então buscaria algum tipo de entendimento pragmático com Lula

Na quinta-feira (1º), três dias antes do primeiro turno, Trump afirmou em conversa com jornalistas que está acompanhando “de perto” o pleito no Brasil. Ele disse ainda:

O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante

Na sexta (2), questionado se iria apoiar Bolsonaro, Trump voltou a dizer que está acompanhando a eleição de perto. As declarações ocorreram em meio ao receio no Brasil de que o governo americano tente interferir no pleito. Também na sexta, os Estados Unidos e a Austrália anunciaram o fechamento de suas embaixadas e consulados no Brasil. O governo americano disse que “tem como máxima prioridade a segurança e a proteção dos cidadãos americanos.”

Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro do ano passado, o presidente declarou abertamente apoio a diversos candidatos de direita na região. Entre os exemplos citados estão Abelardo De La Espriella, eleito em junho na Colômbia, e Nasry Asfura, vencedor no pleito do ano passado em Honduras. Na Argentina, a coalizão do presidente Javier Milei conquistou uma grande vitória nas eleições legislativas do ano passado após sinais públicos do governo americano.

Vários países da região também registraram vitórias de candidatos conservadores: Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador e Peru estão entre esses exemplos. Oscilações políticas à direita ou à esquerda são comuns na América Latina, como na chamada “Maré Rosa” do início dos anos 2000 e nas vitórias de candidatos de esquerda no início desta década.

Especialistas ressaltam que o movimento atual tem componente anti-incumbência. Diz o especialista em relações Brasil-EUA Carlos Gustavo Poggio:

Acho que é uma questão menos ideológica e mais das pessoas insatisfeitas com os atuais mandatários

Analistas também destacam a pressão dos Estados Unidos sobre a região, com medidas que vão desde tarifas sobre produtos brasileiros até a captura do presidente da Venezuela, o líder chavista Nicolás Maduro, em janeiro deste ano. Sobre a agenda americana na América Latina, o cientista político Edgar Franco-Vivanco, da Universidade de Michigan, observa:

Acho que Rubio é a principal pessoa (no governo Trump) que está tentando colocar a América Latina na agenda

Uma questão central é a segurança pública, prioridade para eleitores de vários países e para a estratégia americana no continente. Franco-Vivanco aponta que muitos eleitores latino-americanos estão decepcionados com falhas de governos de esquerda no controle da violência, o que abre espaço para promessas da direita. Ele sintetiza a vantagem eleitoral assim:

Pelo menos em eleições, a direita é muito boa em dizer que vai fazer algo sobre o problema

Entre os líderes de direita eleitos nos últimos anos com promessa de combater a violência está Nayib Bukele, presidente de El Salvador, que reduziu a criminalidade em seu país.

Redação
ESCRITO POR
Redação

Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

10380 artigos publicados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🔔

Quer receber as notícias em primeira mão?

Notificações das principais notícias de Sergipe direto no seu navegador — sem spam.