Itabaiana · sábado · 03 de outubro de 2026
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Durante quase três décadas, o funil do comércio eletrônico dependia de um gesto repetitivo: o consumidor abria um buscador tradicional, digitava algumas palavras-chave e navegava por uma lista de links até encontrar um produto. Essa era da busca passiva por palavras e da disputa pelas primeiras posições do Google está cedendo espaço para uma dinâmica diferente. Hoje, a descoberta de produtos migra aceleradamente para interfaces de inteligência artificial generativa, onde a pesquisa vira conversa e a lista de links é substituída por uma recomendação sintetizada em tempo real.

Não é uma tendência distante, mas um comportamento já estabelecido. Levantamentos do setor indicam que o uso da busca agêntica como primeiro passo da jornada de compra registrou um salto de 200% em apenas um ano. Dados da consultoria Gartner apontam que o avanço das respostas diretas por IA deve reduzir drasticamente o volume das pesquisas na web tradicional. No Brasil, pesquisas do Google mostram que 57% dos consumidores já utilizam inteligência artificial em alguma etapa do processo de compra.

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A grande provocação que se impõe às marcas e varejistas em 2026 é direta: quando o cliente pedir a uma IA que indique o melhor produto para sua necessidade, a sua loja estará entre as opções recomendadas ou desaparecerá da escolha antes mesmo de disputar o clique?

O pânico do setor com essa mudança é real. Um estudo global feito pela Incisiv e Manhattan Associates com mais de 300 executivos C-level do varejo revelou que 98% dos líderes temem perder visibilidade com o avanço das buscas intermediadas por IA, enquanto 63% acreditam que os agentes inteligentes terão influência decisiva nas compras do consumidor.

Isso ocorre porque o modelo clássico de SEO (Search Engine Optimization) já não basta. Entramos na era do GEO (Generative Engine Optimization) e do AEO (Answer Engine Optimization). Enquanto os buscadores tradicionais respondiam bem a repetições de palavras-chave e backlinks, os modelos de IA interpretam contexto, avaliam a intenção do usuário e ponderam a reputação global do produto.

Para que um assistente virtual responda à pergunta “qual a melhor bota impermeável para uma viagem de inverno na Patagonia por até R$ 800?”, o algoritmo sintetiza centenas de fontes, catálogos, opiniões de clientes e condições comerciais em milissegundos. Se o conteúdo da sua marca for vago, inconsistente ou mal estruturado, o robô simplesmente descartará sua oferta.

Isso leva ao conceito de elegibilidade algorítmica: estar apto a ser recomendado por uma IA exige qualidade e profundidade nas informações que a marca disponibiliza. Gestão de catálogo assume papel estratégico e exige dados precisos sobre preço, estoque em tempo real, políticas de devolução, especificações técnicas, opções de frete e credenciais de sustentabilidade.

Além disso, eficiência logística e execução na cadeia de suprimentos tornam-se parte da própria descoberta do produto. Estoque indisponível ou promessa de entrega incerta deixam de ser só problemas operacionais para se tornarem fatores de exclusão algorítmica.

A reputação digital também ganha peso. Modelos de linguagem não se baseiam apenas no que a empresa diz em seu site; eles varrem avaliações, redes sociais e canais de reclamação. Pesquisas da PwC mostram que 29% dos consumidores abandonam marcas após uma única experiência ruim de atendimento. No ambiente orientado por IA, avaliações negativas recorrentes reduzem a probabilidade de recomendação.

Em resumo, visibilidade no novo ecossistema depende de catálogos completos, dados operacionais integrados e uma reputação sólida. Marcas que investirem nesses pontos aumentam suas chances de aparecer quando um consumidor pedir a uma IA pela melhor opção.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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