Itabaiana · sexta-feira · 23 de outubro de 2026
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A trajetória do Avenged Sevenfold, uma das bandas de metal mais populares do século 21, ficou marcada por uma tragédia: a perda do baterista Jimmy “The Rev” Sullivan. O episódio mudou o rumo da banda e deixou uma presença constante na memória dos integrantes.

Em 2009, o grupo estava em ascensão. O álbum Avenged Sevenfold (2007) havia sido um sucesso de vendas, chegando ao 4º lugar nas paradas americanas, e sucedeu a boa recepção de City of Evil (2005), primeiro disco do grupo a alcançar um alcance mais amplo. Os integrantes vislumbravam a possibilidade de um estouro definitivo e já trabalhavam em novas canções.

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No período criativo que antecedeu Nightmare, Jimmy Sullivan ampliou seu papel como compositor dentro do grupo. O guitarrista Zacky Vengeance destacou esse momento de efervescência criativa:

“Jimmy estava compondo mais para este álbum do que ele jamais havia composto. A mente dele estava simplesmente fluindo. Ele tinha todas essas ideias. Tudo que as pessoas estavam criando, ele amava. E se você mostrasse algo, ele acrescentava algo ou se matava de trabalhar para garantir que pudéssemos usar aquilo. Ele ia para a casa do Matt [o vocalista M. Shadows] e gravava bateria todo dia, ou ia para a casa do Brian [o guitarrista Synyster Gates], eles ficavam bêbados, compunham e depois, às 4 da manhã, ele vinha para a minha casa, tocava piano e a gente ficava lá só curtindo. Ele estava, literalmente, esgotando cada gota do que ainda tinha. É nisso que eu realmente acredito. Ele estava colocando tudo, tipo, mostrando tudo para o mundo.”

Rev não era apenas um baterista; ele tocava múltiplos instrumentos, incluindo piano, e incorporava influências que iam do jazz ao progressivo, além do experimental de Frank Zappa. Parte da ambição e do caráter aventureiro da música do Avenged Sevenfold naquele momento foi atribuída à sua contribuição.

Ao final de dezembro de 2009, a banda já havia concluído a composição das músicas que dariam origem a Nightmare. Restavam as letras e a gravação. Perto do Natal, Rev terminou a letra de uma canção intitulada “Death”. Nos versos, havia uma sensação que muitos interpretaram como premonitória:

“Gave you all I had to give Found a place for me to rest my head While I may be hard to find Heard there’s peace just on the other side.”

“Te dei tudo que tinha para dar Achei um lugar para descansar Eu posso ser difícil de achar Mas ouvi falar que há paz do outro lado”

No dia 28 de dezembro de 2009, Sullivan foi encontrado desacordado em sua casa em Huntington Beach, na Califórnia. Paramédicos o levaram a um hospital, onde foi declarado morto. Um exame toxicológico apontou overdose acidental de calmantes, opióides e álcool, exacerbada por um coração maior que o normal. Ele tinha 28 anos.

Synyster Gates comentou que a letra de “Death” (rebatizada depois como “Fiction” em Nightmare) soou como uma despedida, mas também ressaltou que comportamentos fatalistas faziam parte da vida do músico desde a adolescência. Zacky Vengeance lembrou ainda de um episódio em que Rev parecia estranho por não ter bebido durante uma festa, em contraste com seu histórico de consumo.

“Eu sei que ele estava completamente bêbado, mas era assim que ele era. Não tinha nada de diferente de qualquer outra noite. Até dei uma bronca nele naquela noite. Eu disse: ‘Cara, você tá realmente trêbado agora’. Ele ficou tipo: ‘Isso não é uma coisa boa, né?’. Tipo, realmente transtornado. Mas ele sempre era tão animado, que você não conseguia ficar bravo com ele. E o que eu ia fazer? Ele é um homem de 28 anos. Tirar a cerveja da mão dele? Ele estava se divertindo pra caramba, tocando piano, cantando, as pessoas sentadas só observando e ele enlouquecendo, barba grande e tocando com cinco drinks ao redor dele, porque era assim que ele era. Seis horas depois, ele morreu.”

A banda seguiu em frente com a bênção da família de Sullivan e procurou honrar sua memória ao concluir o disco. Zacky Vengeance descreveu o momento de luto e a necessidade de terminar o trabalho:

“Não sabíamos se seríamos uma banda depois, mas tínhamos que terminar esse disco por nosso amigo.”

As partes que seriam gravadas por Rev em Nightmare ficaram a cargo de Mike Portnoy, do Dream Theater, que também integrou a turnê. Arin Ilejay assumiu a bateria posteriormente e, em 2015, foi substituído por Brooks Wackerman. Brooks ressaltou, em 2025, o quanto a presença de Jimmy continuava viva entre os integrantes:

“Era o melhor amigo deles desde a escola. Não há um dia sem menção a Jimmy. Sempre compartilham comigo uma lembrança ou anedota.”

O vocalista M. Shadows também refletiu sobre como seria a música do grupo caso Sullivan tivesse vivido: ele acreditava que a direção musical poderia seguir igual, mas com um brilho e elementos adicionais trazidos pelo baterista.

“Falávamos a mesma língua de um jeito que só se consegue quando se cresce junto e tem as mesmas experiências e referências. Algo assim não se substitui. Se ele ainda estivesse conosco, acho que teríamos mais algumas músicas brilhantes. Acho que a ideia seria a mesma — Synyster, Zacky e eu sempre impulsionamos isso —, mas acho que haveria brilho extra e mais elementos. Só podemos imaginar.”

O legado de Jimmy “The Rev” Sullivan seguiu presente nas homenagens, nas decisões musicais da banda e na lembrança diária dos colegas — uma marca que influenciou tanto o disco Nightmare quanto as gerações de fãs que acompanharam o Avenged Sevenfold.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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