Gilson Kleina pode reassumir a Macaca em meio à pior fase da equipe: lanterna da Série B, 19 pontos do Z-16 e 18 rodadas sem vitória. Em 2012 ele tentou reação no Palmeiras; agora o desafio é ainda maior.
A possível volta de Gilson Kleina à Ponte Preta coloca o treinador diante de um desafio que guarda semelhanças com a missão que ele teve no Palmeiras em 2012. Naquela temporada, Kleina assumiu um time na zona de rebaixamento, promoveu uma reação inicial, mas não conseguiu evitar a queda para a Série B. Agora, 14 anos depois, a negociação com a Macaca ocorre em um cenário considerado ainda mais grave.
Atualmente, a Ponte Preta ocupa a lanterna da segunda divisão, está 19 pontos atrás da primeira equipe fora da zona de rebaixamento e não vence há 18 rodadas. A equipe soma dez pontos em 24 rodadas e enfrenta problemas que vão além dos resultados dentro de campo.
Em 2012, quando deixou a Ponte em setembro para assumir o Palmeiras, Kleina vinha de um momento positivo: havia conquistado o acesso à Série A com a Macaca no ano anterior. No Palmeiras, o clube estava na penúltima posição do Campeonato Brasileiro, com 20 pontos depois de 25 rodadas. Kleina estreou com vitória por 3 a 1 sobre o Figueirense e, em seguida, derrotou a própria Ponte Preta por 3 a 0. A reação inicial gerou esperança, mas a sequência não foi suficiente para evitar a queda. O rebaixamento foi confirmado após empate por 1 a 1 com o Flamengo. Sob o comando de Kleina, a equipe somou quatro vitórias, dois empates e sete derrotas nas 13 rodadas finais, totalizando 14 pontos em 39 possíveis.
Apesar daquele resultado, Kleina permaneceu no clube e, em 2013, conquistou o título da Série B e o retorno à elite, marcando sua passagem pelo Palmeiras com a reconstrução depois do rebaixamento.
Na Ponte, a situação se complica por motivos administrativos e financeiros. Jogadores suspenderam treinos por atrasos de salários e direitos de imagem que chegam a seis meses e ameaçam não enfrentar o América-MG no domingo. Márcio Zanardi pediu demissão e afirmou que a crise financeira e administrativa já não permitia a continuidade do trabalho. Além disso, a equipe enfrenta três punições que impedem o registro de atletas e perdeu onze jogadores contratados na janela sem que eles tenham estreado, por impossibilidade de regularização.
Enquanto o Palmeiras de 2012 tinha elenco treinando normalmente e condições estruturais para tentar a reação, a Ponte ainda precisa definir quais jogadores aceitarão entrar em campo. A diretoria tenta convencer parte dos profissionais a interromper a paralisação e considera completar a equipe com jovens da base. A ligação de Kleina com o clube pesou para que ele aceitasse conversar: são 232 partidas em cinco passagens, o acesso à Série A em 2011 e o vice-campeonato paulista de 2017.
Caso o acordo seja fechado, será a sexta passagem de Kleina pelo Majestoso. A primeira tarefa possivelmente será montar um time para cumprir o próximo compromisso e lidar com a situação contratual e administrativa do elenco, antes mesmo de pensar em recuperação na tabela.
