O MPSP se opôs à soltura de Deolane Bezerra em manifestação do Gaeco apresentada em 20/8. A operação Vérnix, deflagrada em maio de 2026, apura suposta lavagem de dinheiro ligada a membros da família de Marcola.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) se posicionou contra a soltura da influenciadora Deolane Bezerra e pediu que a prisão preventiva dela seja mantida no âmbito da Operação Vérnix. A manifestação foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nessa quinta-feira (20/8) e envolve também integrantes da família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Deflagrada em maio de 2026, a Operação Vérnix investiga uma suposta estrutura destinada à lavagem de dinheiro ligada à facção criminosa. Para os promotores, os motivos que levaram a Justiça a autorizar as prisões continuam presentes e justificam a manutenção das medidas cautelares.
A atuação do Ministério Público ocorreu pouco antes da revisão obrigatória da prisão preventiva. Nesta sexta-feira (21/8), a Justiça deverá reavaliar a situação de Deolane e decidir se ela continuará detida ou poderá acompanhar o processo em liberdade. Pela legislação brasileira, a necessidade da prisão preventiva deve ser analisada periodicamente, a cada 90 dias.
Além de Deolane e Marcola, são citados no processo Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, e os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Paloma e Leonardo estão foragidos.
Segundo a manifestação do Gaeco, o grupo investigado estaria organizado em três frentes: Marcola e Alejandro seriam responsáveis pelo núcleo de comando; Everton e Paloma integrariam a área operacional; e Deolane e Leonardo fariam parte do setor financeiro. No documento, os promotores atribuem à influenciadora uma função central na movimentação dos recursos investigados.
“Deolane atuava como a principal integrante do núcleo financeiro, verdadeiro caixa da organização criminosa, praticando atos de ocultação e dissimulação de valores de origem ilícita por meio de contas vinculadas a ela ou suas empresas, além da conversão de tais valores em bens de elevado valor econômico”
O Ministério Público também destaca que pedidos anteriores da defesa para revogar a prisão preventiva já foram analisados e rejeitados pela Justiça.
As apurações que motivaram a Operação Vérnix começaram anos antes. Em 2019, policiais penais encontraram mensagens manuscritas durante revista na Penitenciária II de Presidente Venceslau (SP). O material continha informações sobre a organização interna do PCC, ordens atribuídas a integrantes da facção e referências a possíveis ações contra agentes públicos.
Entre os conteúdos apreendidos havia menção a uma suposta “mulher da transportadora” que teria levantado dados sobre endereços de servidores públicos. A partir desse apontamento, os investigadores chegaram a uma transportadora em Presidente Venceslau, que passou a ser tratada pela Justiça como parte de uma estrutura usada para movimentar e lavar dinheiro relacionado ao crime organizado.
As descobertas deram origem à segunda etapa das investigações, denominada Operação Lado a Lado. Nessa fase, foram identificados indícios de movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada, crescimento patrimonial sem justificativa e utilização da empresa como instrumento financeiro da facção. Durante a Operação Lado a Lado, foi apreendido um telefone celular cujo conteúdo levou à identificação, segundo o Ministério Público, de transferências financeiras destinadas a Deolane, além de relações pessoais e comerciais entre a influenciadora e um dos supostos administradores ocultos da transportadora.













