Monitor RGF-BIZDOC registra 6.341 empresas em recuperação judicial entre 2,76 mi, alta de 6,2% no semestre. Grandes grupos renegociaram ~R$75 bi em recuperações extrajudiciais, pressionando ações e confiança.
O Brasil se depara com um número recorde de empresas em recuperação judicial, somando 6.341 casos em um total de 2,76 milhões de empresas, conforme dados do Monitor RGF-BIZDOC. Este cenário foi registrado ao final de junho e representa um aumento de 6,2% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Durante o mesmo período, grandes empresas como Raízen (RAIZ4), GPA (PCAR3) e Oncoclínicas (ONCO3) renegociaram aproximadamente R$ 75 bilhões através da recuperação extrajudicial (RE). Esse panorama impacta diretamente a confiança no mercado de capitais, afetando ações na bolsa e pressionando instrumentos de financiamento, como debêntures e fundos de crédito privado.
O levantamento sobre insolvência empresarial indica que, no segmento de empresas matrizes ativas, o número de recuperações cresceu 6,2% no primeiro semestre, um ritmo inferior ao de 7,3% registrado no mesmo período do ano anterior. Em um ano, a alta acumulada é de 21,2%. Quando se considera a base ampla, que inclui 26,7 milhões de CNPJs, os casos de insolvência totalizaram 7.980, com um aumento de 8% no semestre.
As médias empresas foram as mais afetadas, representando 4.131 dos casos totais. As grandes empresas somaram 806 casos, enquanto as muito grandes contabilizaram 222. As pequenas e microempresas foram responsáveis por 1,8 mil casos.
A região Sudeste lidera o número de recuperações, mas o aumento mais significativo foi observado no Centro-Oeste, onde os casos subiram 12,4%, e no Sul, com um aumento de 10,7%.
A recuperação extrajudicial também atingiu patamares recordes. A Raízen reestruturou R$ 65 bilhões, o GPA reorganizou R$ 4,6 bilhões com 98% de adesão dos credores, e a Oncoclínicas renegociou R$ 5,1 bilhões. Como a recuperação extrajudicial gera poucos registros, seu impacto é medido mais pelo valor das dívidas renegociadas do que pela contagem de casos.
Os processos na bolsa afetaram empresas conhecidas, como a Tok&Stok (TOKY3), que entrou em recuperação judicial com uma dívida de cerca de R$ 1,1 bilhão, a segunda reestruturação em dois anos. A Raízen continua a executar seu plano de recuperação extrajudicial, com um aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell, enquanto o GPA tem homologação prevista para setembro e a Oncoclínicas protocolou seu pedido em julho.
O estudo destaca que a crise está se espalhando, com grandes empresas optando pela recuperação extrajudicial, enquanto micro e pequenas empresas aumentam o número de recuperações judiciais. Além disso, as falências voltaram a subir após um ano de estabilidade, com o estoque de empresas falidas chegando a 2.798 no final de junho, um aumento de 66 casos em relação ao ano anterior.
O setor agropecuário se destaca como o mais afetado, com 1.263 CNPJs em recuperação judicial, o que representa um aumento de 66% em doze meses. O Centro-Oeste e o Sul concentram a maioria desses casos, com Mato Grosso sendo o estado mais impactado. Essa situação é caracterizada por dificuldades financeiras, como elevado custo do capital de giro e crédito rural encarecido, o que afeta diretamente os investidores em CRAs e no crédito do agronegócio.
