O porta-aviões está no Oriente Médio desde novembro, com mais de 250 dias de missão sem escalas prolongadas. Familiares e parlamentares cobram explicações após relatos sobre a saúde mental da tripulação e quedas ao mar.
O porta-aviões USS Abraham Lincoln, em operação no Oriente Médio em apoio às ações dos Estados Unidos na guerra contra o Irã, enfrenta questionamentos sobre as condições de sua tripulação. Relatos indicam que marinheiros se jogaram ao mar, o que levantou preocupações sobre a saúde mental da equipe.
Desde que deixou a base de San Diego, em novembro do ano passado, o Lincoln permanece em missão há mais de 250 dias, sem escalas prolongadas em portos. A situação gerou inquietação entre familiares dos militares e parlamentares, sobretudo porque mais de 200 desses dias transcorreram sem atracação — um recorde recente para esse tipo de operação.
Em agosto, um marinheiro caiu ao mar em episódio que teria relação com questões de saúde mental. Ele foi resgatado rapidamente e passou por avaliação médica. Um segundo incidente ocorreu em abril e envolveu um marinheiro do USS Frank E. Petersen Jr., também resgatado. A natureza dos episódios levantou dúvidas sobre se foram acidentais.
Relatos de outros episódios semelhantes foram divulgados por veículos especializados, que citam pessoas ligadas à tripulação. O período prolongado de missão é apontado como fator que afeta negativamente a saúde mental dos marinheiros, embora a Marinha conteste a existência de uma crise a bordo.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que as alegações sobre as condições do Lincoln foram exageradas. Segundo ele, os recursos necessários estão disponíveis para a tripulação e não houve aumento significativo de ocorrências. O presidente Donald Trump também minimizou as preocupações e afirmou que a duração da missão não é excessiva.
O Pentágono anunciou que o USS George Washington substituirá o Lincoln — uma troca já prevista e que, segundo a instituição, não tem relação direta com os episódios recentes. O USS George Washington está a caminho do Oriente Médio, após uma visita ao Vietnã concluída em 5 de agosto.
A combinação entre os incidentes relatados, a longa duração da missão e os testemunhos sobre o impacto psicológico do tempo em alto-mar alimenta o debate sobre os limites impostos às tripulações americanas durante a guerra. Enquanto parlamentares cobram explicações, autoridades militares e a Casa Branca mantêm que as condições a bordo não se deterioraram.
Se você está passando por sofrimento emocional, ligue para o CVV no 188. O atendimento é gratuito e funciona 24 horas por dia. Em caso de emergência, procure o SAMU (192) ou uma UPA.
