O escândalo de fraudes no INSS avançou após ordem que afastou o diretor-geral da PF, causando atrito institucional. Os 27 superintendentes publicaram nota reafirmando compromisso com a Constituição.
O escândalo de fraudes no INSS ganhou novos desdobramentos nas últimas semanas, envolvendo uma crise na relação entre o gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), e a cúpula da Polícia Federal (PF). Na quinta-feira, dia 6, os 27 superintendentes da PF divulgaram uma nota conjunta reafirmando o compromisso da instituição com a Constituição, em meio ao impasse entre as partes.
A tensão entre a PF e Mendonça teve início quando o ministro determinou que o diretor-geral do órgão, Andrei Rodrigues, ficasse fora do caso, sem acesso a informações. O chefe da PF contestou a decisão, afirmando a jornalistas que “cumpre essa regra há mais de 20 anos, quando se tornou delegado” e que não interfere em inquéritos de subordinados.
O caso do INSS está relacionado a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No início do ano, o STF quebrou os sigilos bancário e fiscal do empresário, que é apontado como suposto sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso desde o final do ano passado.
Além disso, outro ponto de conflito surgiu quando Mendonça ordenou que a PF juntasse imediatamente aos autos todas as informações do caso e perícias transcritas na íntegra. Ele também determinou que qualquer afastamento de policiais da equipe de investigação fosse comunicado previamente ao seu gabinete, uma medida que desagradou ao gabinete do ministro após a PF mudar a coordenação do inquérito do INSS.
Na semana passada, a PF acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para uma medida jurídica contra a decisão de Mendonça, uma ação considerada inédita. Para tentar resolver a crise, o advogado-geral da União, Jorge Messias, articulou uma reunião entre o ministro da Justiça, Wellington César, e o ministro André Mendonça, com o intuito de distensionar a relação entre a PF e o gabinete do relator de três inquéritos que mencionam Lulinha.
Desse encontro, surgiu a proposta de uma reunião entre Mendonça e Andrei Rodrigues, embora ainda não haja uma data definida para esse encontro.
