Itabaiana · segunda-feira · 12 de outubro de 2026
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Em julho, o preço do feijão nas prateleiras começou a recuar após alta no primeiro semestre. A redução ainda não acompanha as cotações nas regiões produtoras, mas traz alívio aos consumidores.

Após ser um dos principais responsáveis pela alta nos preços dos alimentos no primeiro semestre, o feijão começa a apresentar sinais de alívio para os consumidores. Em julho, os preços da leguminosa já mostraram uma redução nas prateleiras, embora essa queda ainda não esteja em sintonia com os valores registrados nas regiões produtoras.

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Esse movimento ocorre pouco mais de um mês depois de o feijão ter liderado a inflação do varejo alimentar no Brasil. Um levantamento da Neogrid indicou que, em junho, o preço médio do produto aumentou 8% em comparação a maio, subindo de R$ 8,05 para R$ 8,70 por quilo. Essa valorização foi impulsionada, principalmente, pela quebra da segunda safra devido a problemas climáticos e à diminuição da área plantada.

Recentemente, um relatório do Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas) revelou uma mudança de cenário. Durante o mês de julho, o preço do feijão-carioca caiu rapidamente nas principais regiões produtoras. Em Minas Gerais e Goiás, a saca, que semanas antes era negociada acima de R$ 300, agora é comercializada próxima de R$ 280, com negócios em valores ainda menores sendo registrados nos últimos dias.

Porém, a queda nos preços ainda não chegou ao consumidor com a mesma rapidez. Um levantamento do Ibrafe mostrou que, na cidade de São Paulo, o preço médio do feijão-carioca de um quilo caiu de R$ 10,09 em junho para R$ 9,50 em julho, representando uma redução de 5,85%. O feijão-preto também teve uma leve queda de 1,56%, passando de R$ 10,25 para R$ 10,09.

Em Recife, a situação foi mais favorável, com o preço do feijão-carioca caindo de R$ 8,89 para R$ 8,19 por quilo, uma redução de 7,87%. O feijão-preto, por sua vez, recuou 3,67%. Na Grande Belo Horizonte, o feijão-carioca também figurou entre os produtos que mais diminuíram de preço, com um recuo médio de 3,21%.

“Entre a lavoura e o supermercado existem estoques adquiridos anteriormente, beneficiamento, embalagem, transporte, impostos, distribuição e margens. Portanto, é natural que exista alguma defasagem”, afirmou o presidente do Ibrafe, Marcelo Lüders.

Apesar da situação, o instituto recomenda que o mercado monitore com atenção a velocidade do repasse das quedas de preços. “Quando o feijão sobe na lavoura, imediatamente surge a preocupação com o que acontecerá na gôndola. Quando cai, precisamos observar, com a mesma atenção, quanto dessa redução realmente chega ao consumidor”, ressaltou. O Ibrafe acredita que se a saca permanecer próxima dos atuais patamares ou recuar para cerca de R$ 250 ao longo de agosto, haverá espaço para uma redução mais significativa nos supermercados, o que poderá incentivar novamente o consumo do feijão.

Vale destacar que o feijão ainda acumula uma forte alta no ano. Apesar da recente melhora, o produto continua entre os alimentos que mais subiram de preço em 2026. Segundo a Neogrid, entre dezembro de 2025 e junho deste ano, o feijão teve uma valorização de 36,7% no varejo brasileiro, ficando atrás apenas dos legumes, que registraram alta de 50,2% no mesmo período.

Marcelo Alves, gerente executivo de Dados da Neogrid, comentou que a forte oscilação dos preços reflete a sensibilidade dessas categorias às condições climáticas, reforçando a necessidade de uma gestão mais eficiente dos estoques pelos supermercados. O comportamento dos preços do feijão deverá continuar sendo um dos principais indicadores da inflação dos alimentos ao longo do segundo semestre.

Embora o feijão comece a perder força como fator de inflação, outros produtos ainda pressionam o orçamento do consumidor. Em junho, os legumes registraram uma alta média de 4,2% no país, com o preço médio passando de R$ 7,93 para R$ 8,26 por quilo. No acumulado do ano, os legumes lideram a inflação entre os alimentos, com uma valorização de 50,2%. Outros produtos como leite UHT, carne bovina e farinha de mandioca também permanecem em alta.

Por outro lado, alguns itens começaram a aliviar o orçamento das famílias. O café em pó e em grãos teve uma queda de 3,2% em junho, enquanto o açúcar recuou 2,8%. Ovos e óleo de cozinha também registraram reduções de preços.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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