Em audiência no Senado em 29 de julho, Anthony Fauci recorreu ao direito de não se autoincriminar e se negou a responder perguntas dos parlamentares. O episódio gerou forte reação política e ameaça de ação judicial.
Anthony Fauci, médico e cientista que liderou a resposta dos EUA à Covid-19, voltou a ser destaque nas notícias após se recusar a responder perguntas de parlamentares americanos durante uma audiência no Senado, realizada em 29 de julho, pelo Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais.
Durante a audiência, a resposta de Fauci a todas as perguntas feitas pelos parlamentares foi a invocação da Quinta Emenda da Constituição americana, que assegura o direito de não produzir provas contra si mesmo. Fauci declarou:
“Seguindo a orientação dos meus advogados, exercerei meu direito garantido pela 5ª Emenda da Constituição de me abster de responder às suas perguntas.”
Essa declaração foi repetida mais de 100 vezes, o que gerou uma reação do Comitê, que acusou Fauci de desacato ao Congresso.
Fauci, que liderou o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID) por 38 anos, se tornou um dos principais rostos da resposta americana à pandemia e um alvo de críticas pela forma como lidou com a crise do coronavírus, que causou a morte de mais de 1,1 milhão de americanos. Ele se aposentou em 2022 e serviu a sete presidentes, de diferentes partidos, começando por Ronald Reagan. Em 2008, Fauci recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade.
Dentre suas funções, Fauci foi fundamental em diversas crises de saúde pública, incluindo a epidemia de AIDS, surtos de Ebola e do vírus Zika, e ataques com antraz. Durante o primeiro mandato do ex-presidente Donald Trump, foi sugerido que Fauci se tornasse o principal porta-voz da resposta do governo à pandemia. Embora Trump tenha inicialmente elogiado o médico, ele começou a criticar Fauci por suas orientações sobre lockdowns, uso de máscaras e vacinação, que se tornaram temas polarizadores.
Antes da audiência no Senado, Trump expressou em sua rede social que
“As ideias [de Fauci] eram LOUCAS.”
O Comitê do Senado também divulgou anotações do diário de Fauci, que revelaram sua preocupação com a gravidade da pandemia e as tensões com Trump. Fauci registrou que teve longas conversas com o presidente sobre a resposta à Covid-19, e em uma dessas anotações, ele mencionou:
“A grande surpresa foi que, às 22h35 desta noite, recebi uma ligação em casa do presidente Trump, que queria conversar sobre a situação do coronavírus de maneira geral.”
Fauci relatou que aconselhou Trump a não minimizar a gravidade do vírus, mas o presidente fez o oposto no dia seguinte. Ao longo do tempo, o cientista observou que a relação entre eles começou a se deteriorar, especialmente quando Trump pressionou para suspender as medidas de isolamento, preocupando-se com a economia e suas chances de reeleição.



