Itabaiana · terça-feira · 13 de outubro de 2026
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Setor de arroz já registra prejuízos por corte de vendas a Cuba e tarifas dos EUA. Estoques parados e preços domésticos caem abaixo do custo, podendo somar até US$25 mi/ano, diz Abiarroz.

A indústria brasileira de arroz já está enfrentando prejuízos antes mesmo de sentir os impactos diretos das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Com as tensões comerciais em alta, empresas do setor relatam a interrupção de exportações para Cuba devido ao endurecimento das sanções americanas. Isso resultou em estoques parados e um mercado doméstico deprimido, onde os preços estão abaixo do custo de produção.

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De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), a tarifa de 37,5% aplicada pelos Estados Unidos pode causar perdas de até US$ 25 milhões anualmente para a indústria nacional. Os Estados Unidos representam 19% do valor exportado de arroz branco brasileiro, que é considerado um produto de alto valor agregado e estratégico para o escoamento da produção.

A Abiarroz defende a busca por uma solução negociada entre os dois países para mitigar os prejuízos ao setor. Adalberto Pegorer, sócio-diretor da São João Alimentos, comentou sobre a situação da empresa, que ficou com cerca de 130 a 140 contêineres de arroz prontos para embarque a Cuba. Após cancelamentos de pedidos por compradores espanhóis, a empresa se vê em dificuldades para redirecionar o produto ao mercado brasileiro, uma vez que foi desenvolvido especificamente para o mercado cubano.

“Vou ter que abrir todas essas embalagens, reprocessar o arroz e enquadrá-lo no padrão brasileiro. Não vou perder tudo, mas vou perder embalagem, mão de obra e muito dinheiro parado”, afirmou Pegorer.

Ele expressou preocupação com o armazenamento prolongado do arroz, que pode deteriorar em cerca de quatro meses, especialmente em condições de calor e umidade. Embora as exportações para os Estados Unidos representem uma parte pequena das vendas da empresa, a tarifa pode inviabilizar novos negócios. Pegorer destacou que o volume de vendas para o mercado americano está praticamente zerado.

Na Guacira Alimentos, o diretor Antônio Pegorer, conhecido como Toninho, também manifestou preocupação com as incertezas trazidas pelo tarifaço, mesmo sem a empresa ter grande exposição ao mercado americano. Ele comentou: “Essa guerra comercial ninguém sabe se vai, se não vai, se vai ter taxa, se não vai. Isso atrapalha todo mundo.”

Outro ponto abordado pelos empresários é a baixa rentabilidade do arroz no mercado interno. O preço da saca caiu de aproximadamente R$ 127 no fim de 2024 para cerca de R$ 50, com uma leve recuperação para perto de R$ 70, ainda insuficiente para cobrir os custos de produção. Toninho destacou que a estratégia da Guacira tem sido diversificar o portfólio, incluindo produtos como açúcar e azeite, para reduzir a dependência do arroz.

Além disso, a concentração do varejo tem dificultado reajustes de preços e aumentado os custos logísticos, especialmente em regiões como a Grande São Paulo. Apesar das dificuldades atuais, ambos os empresários acreditam que a próxima safra pode ser menor, devido ao crédito mais caro e ao aumento dos custos de produção, o que pode ajudar a recuperar os preços pagos ao produtor.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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