Em Campinas (4/8/2026), Muricy disse que o Brasil precisa resgatar o jogo bonito para voltar a sonhar com o Mundial. Na palestra, cobrou investimento nas bases e disse que Ancelotti terá desafios até 2030.
Em Campinas, SP, no dia 4 de agosto de 2026, o ex-técnico Muricy Ramalho, que já recusou a Seleção Brasileira em três ocasiões, compartilhou suas opiniões sobre o futuro do futebol brasileiro. Segundo ele, para que o Brasil volte a sonhar com um título mundial, é necessário resgatar a essência do jogo bonito, sempre em busca do gol e com um espírito vencedor que permita ao time se impor diante dos adversários.
Durante uma palestra no I Curso de Treinadores do Futebol Amador de Campinas, Muricy destacou a importância de cuidar das seleções de base. Ele acredita que o técnico italiano Carlo Ancelotti enfrentará muitos desafios ao montar um time praticamente do zero, o que exigirá trabalho, organização e planejamento.
Muricy também comentou sobre a decepcionante atuação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, que ocorreu na América do Norte, a qual acompanhou como comentarista de uma emissora. Ele elencou cinco principais desafios que Ancelotti terá pela frente:
1 – Pouco tempo com a Seleção: “Ele é realmente o melhor do mundo, mas chegou aqui e pegou um rabo de foguete. Já foi para as Eliminatórias, com a obrigação de garantir uma vaga e não teve tempo de trabalhar o grupo como se precisava para uma Copa.”
2 – Conhecimento limitado dos jogadores: “Na própria convocação a gente viu isso, porque ele deu moral para quem jogou com ele, como o Casemiro e o Vini. Mas lá nossos jogadores atuam de forma diferente, conforme o que são exigidos em seus clubes.”
3 – Identidade do futebol brasileiro: “O torcedor quer ver o Brasil como ele é e sempre foi, propondo jogo, indo para cima do adversário e com espírito de vencedor. Na derrota para a Noruega (2 a 1), a gente não viu nada disso.”
4 – Ciclo difícil pela frente: “Vai ser um trabalho duro, porque é preciso começar praticamente do zero. O Ancelotti precisa acompanhar as seleções menores e ver quem pode ser útil em 2030.”
5 – Falta dos veteranos: “O Brasil perdeu jogadores por idade que farão falta. Eles já estavam acostumados com grandes jogos na Europa e não sentiam tanto o peso da responsabilidade.”
O curso em Campinas, promovido pela Liga Campineira de Futebol e pela Secretaria Municipal de Esportes, tem como coordenador o ex-técnico Nelsinho Baptista. Além de Muricy Ramalho, o evento contou com a presença do treinador de goleiros Carlos Pracidelli, que acompanhou Luiz Felipe Scolari por mais de duas décadas. O curso, que é gratuito e inédito, terá duração total de 20 horas/aula, incluindo parte teórica e prática, e será realizado na sede da Associação dos Funcionários Públicos de Campinas.
