Em crise, Infantino busca apoio de federações pequenas após críticas de Uefa e Concacaf pela proposta de investidores na Copa. Ele confirmou que vai tentar a reeleição; pressão aumenta antes do Congresso.
Gianni Infantino está em busca de apoio entre federações menores e emergentes para garantir sua continuidade na presidência da Fifa. O dirigente enfrenta a maior crise de sua gestão de quase dez anos, especialmente após a Uefa e a Concacaf expressarem desconfiança em sua liderança, especialmente após a proposta de inclusão de investidores de private equity na Copa do Mundo.
Infantino confirmou sua intenção de concorrer a um quarto mandato no Congresso da Fifa, agendado para abril do próximo ano. No entanto, a pressão sobre ele pode aumentar antes da eleição. No dia 3 de agosto, o País de Gales se tornou a primeira federação a retirar formalmente seu apoio ao presidente da Fifa, enquanto a Uefa enviou uma carta ao dirigente informando que pode tomar medidas legais contra ele.
Os opositores de Infantino podem tentar destituí-lo através de uma votação em um Congresso Extraordinário, caso 20% das 211 associações filiadas à Fifa solicitem formalmente. Este congresso deve ocorrer em até três meses após a solicitação, o que pode abrir espaço para novas candidaturas. A Uefa, que já ameaçou boicotar competições da Fifa, pode convocar um Congresso Extraordinário se houver unanimidade entre suas 55 federações nacionais.
Apesar das dificuldades, a chance de Infantino se manter no cargo pode depender de seu apoio em nações como Butão e Vanuatu, que historicamente não disputaram Copas do Mundo e dependem fortemente do financiamento da Fifa. Durante o ciclo da Copa do Mundo de 2023 a 2026, as associações filiadas poderão receber até 3 milhões de dólares para projetos de desenvolvimento, um valor crucial para países com menos recursos.
A proposta de venda de participação na Fifa, que foi mal recebida por federações tradicionais, sempre teve como foco esses membros menores. A Fifa já destinou verbas significativas para o desenvolvimento do futebol em países como Vanuatu, que recebeu 4,15 milhões de dólares para a construção de um estádio.
Brian Kaltak, o primeiro jogador profissional de Vanuatu, destacou o impacto positivo do apoio de Infantino no desenvolvimento do futebol em sua nação, enfatizando que a ajuda é fundamental para o crescimento do esporte em países menos favorecidos. No entanto, críticos apontam que esse modelo de financiamento pode fortalecer um sistema em que a Fifa troca poder financeiro por influência política, dificultando mudanças na liderança.
Assim, a luta de Infantino pela permanência na presidência da Fifa pode se transformar em uma disputa que vai além da elite do futebol europeu, envolvendo também as vozes das federações menores que dependem do suporte da entidade.
