Nutrients e Fapesp divulgaram estudo com camundongos que associou alto consumo de açúcar (leite condensado) a maior inflamação pulmonar e risco de crises alérgicas. Efeitos surgiram em 14 dias, equivalente a ~2 anos humanos.
Um novo estudo revela que o consumo de açúcar pode ter um impacto significativo na saúde de pessoas com asma, especialmente em curto prazo. A pesquisa, publicada na revista Nutrients, mostra que a ingestão de altas doses de açúcar piora a inflamação pulmonar, aumentando o risco de crises alérgicas. O estudo foi realizado com camundongos e divulgado pela Fapesp.
Durante os experimentos, os camundongos receberam uma dieta regular, mas tiveram o consumo de leite condensado liberado. Em apenas duas semanas, o que em humanos corresponderia a cerca de dois anos, já foram observados efeitos negativos nos animais. Este é o primeiro estudo que demonstra a rapidez com que o açúcar pode agravar quadros inflamatórios relacionados à asma.
“Quando uma criança consome muito açúcar, pensamos em consequências como cárie ou obesidade. Mas raramente consideramos que, em um período tão curto, uma alergia preexistente possa ser agravada”, afirmou Caroline Marcantonio Ferreira, professora da Universidade Federal do ABC e coordenadora do estudo.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta cerca de 300 milhões de pessoas globalmente. O aumento da prevalência da doença nas últimas décadas se deve a uma série de fatores, incluindo a resposta inflamatória que ocorre nos pulmões, levando ao estreitamento das vias respiratórias e ao aumento da produção de muco, que dificulta a respiração.
Os pesquisadores enfatizam que o controle da ingestão de açúcar é essencial para pessoas com asma, assim como a redução de outros fatores desencadeantes como mofo e poluição. Mateus Casaro, coautor do estudo, ressalta que o açúcar não é apenas uma caloria vazia, mas um agente inflamatório que pode alterar o equilíbrio imunológico rapidamente.
“A adequação da dieta é uma estratégia barata, acessível e extremamente eficiente, que deve ser implementada com o tratamento medicamentoso de pacientes com asma”, complementou Casaro.
Os experimentos mostraram que o açúcar provoca inflamação sistêmica a partir do tecido adiposo, afetando órgãos vitais como fígado e pâncreas. Essa inflamação pode intensificar a resposta alérgica nos pulmões, mesmo em indivíduos que não possuem asma. Ferreira conclui que, embora o estudo tenha focado na asma, é provável que o alto consumo de açúcar também afete outras condições inflamatórias.
Os especialistas reforçam que, embora a dieta rica em açúcar não cause asma diretamente, ela pode amplificar a inflamação já existente, evidenciando a necessidade de cuidados com a alimentação, especialmente entre populações vulneráveis.
