Itabaiana · terça-feira · 13 de outubro de 2026
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Margens apertadas, endividamento e perdas por clima elevam risco do mercado ilegal de sementes. A diretora da CropLife Brasil alerta que produtores com menos capital podem recorrer a insumos mais baratos e irregulares.

A combinação de margens apertadas, endividamento e perdas causadas por eventos climáticos pode favorecer o aumento do mercado ilegal de sementes no Brasil. A diretora de Biotecnologia e Germoplasma da CropLife Brasil, Catharina Pires, alerta que produtores com menos capital estão mais suscetíveis a adquirir insumos de origem irregular e com preços mais baixos.

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Esse problema é especialmente grave em estados como o Rio Grande do Sul, onde os agricultores enfrentam dificuldades devido a estiagens, enchentes e quebras de safra. Segundo Pires, em momentos de pressão financeira, os agricultores podem tomar decisões mais arriscadas. Ela afirma:

“Em momentos em que o agricultor está mais pressionado e menos capitalizado, aumenta o risco de decisões mais arriscadas. O produtor acaba sendo tentado por opções aparentemente mais baratas, mas que podem ampliar ainda mais sua vulnerabilidade.”

A CropLife Brasil não possui dados atualizados sobre a pirataria após 2024, mas reconhece que o cenário econômico atual pode favorecer esse mercado ilegal. Por isso, a entidade intensificou ações de comunicação com os produtores e ampliou o diálogo com órgãos de fiscalização. Pires aponta que:

“O setor de sementes acompanha o nosso ambiente econômico, assim como qualquer outro setor industrial. Câmbio, preço de commodities e o humor do mercado podem impactar.”

Ela destaca que o comércio ilegal de sementes é a maior preocupação das empresas associadas à CropLife, pois reduz o espaço para o crescimento das empresas que atuam dentro da lei e pode comprometer investimentos em pesquisa e inovação. Pires enfatiza:

“Esse comércio ilegal tem deixado o setor sementeiro em uma situação que preocupa. Estamos falando de um setor que tem sido uma engrenagem fundamental da inovação agrícola no Brasil.”

Um levantamento realizado pela CropLife Brasil em parceria com a consultoria Celeres, divulgado em 2024, mostrou que 11% das sementes utilizadas no plantio de soja no país eram de origem ilegal, com quase 30% no Rio Grande do Sul. O impacto econômico da pirataria de sementes de soja é estimado em R$ 10 bilhões por ano, considerando os efeitos na cadeia produtiva. A eliminação desse mercado poderia gerar um aumento anual de R$ 2,5 bilhões para os produtores rurais e R$ 4 bilhões para o setor de produção de sementes.

Além disso, a pirataria pode resultar em uma perda de aproximadamente R$ 1 bilhão em arrecadação de impostos ao longo de dez anos. A produtividade média da soja brasileira na safra 2023/24 foi de 59 sacas por hectare, enquanto o uso de sementes ilegais esteve associado a uma perda média de 17%, equivalente a cerca de quatro sacas por hectare. A CropLife Brasil planeja repetir o estudo a cada cinco anos para monitorar a evolução do mercado e os efeitos das iniciativas de combate ao comércio ilegal de sementes.

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Jornalista da Itabaiana FM 93.1 — trazendo as notícias de Sergipe para você.

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